Uso de Albumina no Choque Séptico: Evidências e Condutas

HFA - Hospital das Forças Armadas (DF) — Prova 2020

Enunciado

Um paciente de 72 anos de idade, diabético, foi admitido no departamento de emergência sonolento, hipoativo, taquipneico e febril. Familiares informaram tosse produtiva e hiporexia há quatro dias. Os sinais vitais aferidos no atendimento inicial mostraram pressão arterial de 70/40 mmHg, frequência cardíaca de 126 batimentos por minuto, frequência respiratória de 28 incursões por minuto, saturação periférica de oxigênio de 81% em ar ambiente, temperatura axilar de 39,1 ºC e glicemia de 168 mg/dL. Ao exame físico, o paciente pontuava 6 na escala de coma de Glasgow, suas pupilas estavam isocóricas e fotoreagentes e a ausculta pulmonar era rude, com crepitações predominantes em base pulmonar direita. O hemograma evidenciou leucocitose (21.000 leucócitos), com 14% de bastões. Com base nesse caso hipotético e nos conceitos médicos a ele associados, julgue o item a seguir. O uso de soluções de albumina no tratamento do choque séptico está associado a menor índice de disfunção orgânica e menor tempo de internação.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Cristaloides são a 1ª linha no choque séptico; albumina não reduz mortalidade ou tempo de internação rotineiramente.

Resumo-Chave

Embora a albumina possa ser considerada em pacientes que requerem grandes volumes de cristaloides, as evidências atuais não sustentam redução global de disfunção orgânica ou tempo de internação.

Contexto Educacional

O manejo hemodinâmico no choque séptico foca na restauração da perfusão tecidual. A controvérsia entre cristaloides e coloides perdura há décadas. Atualmente, os cristaloides (preferencialmente balanceados) são o padrão-ouro. A albumina é o único coloide que ainda possui espaço terapêutico, mas sua indicação é restrita a cenários de necessidade volêmica maciça. A afirmação da questão está incorreta pois generaliza benefícios de redução de disfunção e tempo de internação que não são sustentados por metanálises robustas.

Perguntas Frequentes

Quando considerar o uso de albumina no choque séptico?

De acordo com o Surviving Sepsis Campaign, a albumina pode ser sugerida em pacientes que necessitam de grandes volumes de cristaloides para estabilização hemodinâmica. No entanto, ela não é a primeira escolha. O uso é baseado na teoria de que a pressão oncótica da albumina ajudaria a manter o volume intravascular, mas estudos clínicos não demonstraram benefício de mortalidade na população geral de pacientes sépticos em comparação com cristaloides isolados.

O que o estudo ALBIOS demonstrou sobre a albumina?

O estudo ALBIOS (Albumin Italian Outcome Sepsis) avaliou se a reposição de albumina para manter níveis séricos ≥ 3 g/dL em pacientes com sepse grave e choque séptico melhoraria a sobrevida. Os resultados mostraram que não houve diferença significativa na mortalidade em 28 ou 90 dias, nem na duração da internação ou disfunção orgânica, corroborando que a albumina não deve ser usada de forma rotineira para esses fins específicos.

Quais são os riscos do uso de coloides sintéticos na sepse?

Diferente da albumina (um coloide natural), coloides sintéticos como o amido (HES - Hydroxyethyl starch) são contraindicados no choque séptico. Estudos como o VISEP e CHEST demonstraram que o uso de amidos está associado a um maior risco de lesão renal aguda, necessidade de terapia renal substitutiva e aumento da mortalidade. Portanto, a escolha deve recair sobre cristaloides balanceados ou soro fisiológico.

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