Manejo do Choque Séptico no Pós-Operatório Abdominal

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2013

Enunciado

Homem de 34 anos de idade foi submetido, há cinco dias, a correção cirúrgica de úlcera perfurada. Vem evoluindo com vômitos desde a operação, acompanhados de dor abdominal difusa e distensão abdominal, que se acentuaram nas últimas seis horas. No momento apresenta-se desidratado, com frequência cardíaca = 132 bpm, pressão arterial = 80x40 mmHg, temperatura axilar = 38,7°C. Está em uso de metronidazol na dose de 500 mg de 6/6 horas, gentamicina - 240 mg em dose única dia e ampicilina - 1g de 6/6 horas, além de omeprazol - 40 mg de 12/12 horas. Diante do presente quadro, a melhor conduta é:

Alternativas

  1. A) Solicitar radiografia de abdome, mudar esquema antibiótico e transferir paciente para unidade de cuidados críticos.
  2. B) Encaminhar para a unidade de cuidados críticos, mudar esquema antibiótico e puncionar acesso venoso central.
  3. C) chamar o cirurgião responsável, instituir reposição volêmica e reservar vaga em unidade de cuidados críticos.
  4. D) Solicitar tomografia abdominal, mudar esquema antibiótico e instituir reposição volêmica.
  5. E) Chamar o cirurgião responsável, mudar esquema antibiótico e instituir reposição volêmica.

Pérola Clínica

Hipotensão + Taquicardia + Febre no pós-op → Ressuscitação volêmica imediata + Vaga em UTI.

Resumo-Chave

O paciente apresenta sinais de choque (provavelmente séptico). A prioridade absoluta é a estabilização hemodinâmica com volume e suporte intensivo antes de qualquer investigação diagnóstica adicional.

Contexto Educacional

O manejo de complicações pós-operatórias graves exige rapidez e hierarquização de condutas. O quadro descrito (taquicardia, hipotensão, febre e dor abdominal) após correção de úlcera perfurada é altamente sugestivo de choque séptico por peritonite persistente ou recorrente. De acordo com o Surviving Sepsis Campaign, a ressuscitação deve começar imediatamente. A transferência para a UTI é mandatória para monitorização invasiva e suporte vasopressor se a reposição volêmica falhar. A revisão da antibioticoterapia também é necessária, considerando o espectro para germes hospitalares ou resistentes, mas nunca deve atrasar a estabilização hemodinâmica inicial.

Perguntas Frequentes

Qual a primeira medida no choque pós-operatório?

A primeira medida é a ressuscitação volêmica agressiva com cristaloides para restaurar a perfusão tecidual, enquanto se monitora a resposta clínica e hemodinâmica.

Por que chamar o cirurgião é fundamental?

Em um paciente operado por úlcera perfurada que evolui com choque e peritonite, deve-se suspeitar de falha técnica, deiscência de sutura ou nova perfuração, o que pode exigir reintervenção cirúrgica imediata.

Quais os alvos da ressuscitação na sepse?

Os alvos incluem PAM ≥ 65 mmHg, débito urinário > 0,5 ml/kg/h, melhora do nível de consciência e redução dos níveis de lactato sérico.

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