Choque Séptico: Diagnóstico Rápido e Manejo Inicial Essencial

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2023

Enunciado

Homem, 60 anos de idade, é trazido ao PS por familiares com relato de falta de ar há 1 semana com piora nas últimas 24 horas. Exame físico: Escala de Coma de Glasgow = 13, pupilas isocóricas fotorreagentes, sem sinais neurológicos focais, ausculta cardíaca sem alterações, FC = 120 bpm, PA = 70/40mmHg, tempo de enchimento capilar = 5 segundos, ausculta respiratória com estertores grossos em base direita, FR = 30 irpm, SpO₂ = 80%, exame abdominal sem alterações, membros inferiores sem alterações. Qual é a conduta mais adequada para este paciente?

Alternativas

  1. A) Coleta de bilirrubina, creatinina, lactato, gasometria e contagem plaquetária para cálculo do SOFA.
  2. B) Coleta de culturas, antibioticoterapia de amplo espectro, expansão volêmica e oxigênio por cateter nasal.
  3. C) Oxigênio por cateter nasal, angiotomografia de tórax com protocolo para TEP e anticoagulação com heparina não-fracionada.
  4. D) Ventilação não-invasiva, dobutamina 2,5 a 20 mcg/kg/min em bomba de infusão contínua, furosemida 1mg/kg e decúbito elevado a 45°.

Pérola Clínica

Choque séptico: suspeita (infecção + disfunção orgânica) → culturas, ATB amplo, fluidos, oxigênio (bundle de 1h).

Resumo-Chave

O paciente apresenta sinais de choque séptico (infecção pulmonar provável, hipotensão, taquicardia, tempo de enchimento capilar prolongado, hipoxemia e alteração do nível de consciência). A conduta inicial deve seguir o 'bundle de 1 hora' da sepse: coleta de culturas, antibioticoterapia de amplo espectro, expansão volêmica e suporte de oxigênio.

Contexto Educacional

O choque séptico é uma condição de risco de vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção, resultando em disfunção orgânica e hipotensão persistente, apesar da ressuscitação volêmica. É uma emergência médica que exige reconhecimento e intervenção imediatos para melhorar as chances de sobrevivência do paciente. A pneumonia é uma causa comum de sepse e choque séptico, especialmente em idosos e imunocomprometidos. O diagnóstico de choque séptico é clínico, baseado na presença de uma infecção suspeita ou confirmada, juntamente com sinais de disfunção orgânica e hipotensão. Sinais como alteração do nível de consciência (Glasgow < 15), taquicardia, hipotensão (PA < 90/60 mmHg ou PAM < 65 mmHg), tempo de enchimento capilar prolongado e hipoxemia são indicativos de gravidade. A identificação precoce é crucial para a implementação do tratamento. A conduta mais adequada para o choque séptico segue o 'bundle de 1 hora' da campanha Surviving Sepsis Campaign. Isso inclui a coleta de culturas (sangue, urina, escarro) antes da administração de antibióticos, início imediato de antibioticoterapia de amplo espectro, expansão volêmica com cristaloides (30 mL/kg nas primeiras 3 horas) e suporte de oxigênio para manter a saturação adequada. Atrasos nessas medidas estão associados a maior mortalidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o diagnóstico de choque séptico?

Choque séptico é definido como sepse com hipotensão persistente que requer vasopressores para manter uma pressão arterial média ≥ 65 mmHg e lactato sérico > 2 mmol/L, apesar de ressuscitação volêmica adequada.

Qual a importância do 'bundle de 1 hora' no manejo da sepse?

O bundle de 1 hora da sepse preconiza a realização de medidas cruciais (coleta de lactato, culturas, antibióticos de amplo espectro, expansão volêmica e vasopressores se necessário) dentro da primeira hora do reconhecimento da sepse para melhorar os desfechos.

Quando iniciar a antibioticoterapia de amplo espectro no choque séptico?

A antibioticoterapia de amplo espectro deve ser iniciada o mais rápido possível, idealmente dentro da primeira hora do reconhecimento do choque séptico, após a coleta de culturas, para cobrir os patógenos mais prováveis.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo