Choque Séptico: Fisiopatologia e Manejo Hemodinâmico

SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2024

Enunciado

Considerando o choque séptico, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A principal anormalidade hemodinâmica no choque séptico é a vasodilatação generalizada, resultando em hipoperfusão de órgãos vitais.
  2. B) O lactato sérico elevado é uma característica típica do choque séptico e reflete predominantemente o aumento da produção, não a diminuição da depuração.
  3. C) A terapia inicial do choque séptico inclui apenas a administração agressiva de fluidos intravenosos para otimizar a pré-carga cardíaca e corrigir rapidamente a hipotensão.
  4. D) A presença de leucocitose é um marcador confiável de choque séptico, refletindo a capacidade do sistema imunológico de combater a infecção.
  5. E) O uso rotineiro de corticosteroides está indicado no tratamento do choque séptico para modular a resposta inflamatória e melhorar a sobrevida.

Pérola Clínica

Choque séptico → vasodilatação generalizada + hipoperfusão tecidual.

Resumo-Chave

O choque séptico é uma condição de disfunção circulatória e metabólica grave, caracterizada por vasodilatação periférica e aumento da permeabilidade capilar, que levam à hipoperfusão tecidual e disfunção orgânica, apesar de uma ressuscitação volêmica adequada.

Contexto Educacional

O choque séptico representa uma forma grave de sepse, caracterizada por disfunção circulatória e metabólica celular e tecidual profunda, com aumento da mortalidade. Sua fisiopatologia é complexa, envolvendo uma resposta inflamatória desregulada do hospedeiro a uma infecção, que culmina em disfunção endotelial generalizada. A principal anormalidade hemodinâmica é a vasodilatação arterial e venosa generalizada, que leva a uma diminuição da resistência vascular sistêmica e, consequentemente, à hipotensão refratária a fluidos. Essa vasodilatação, juntamente com o aumento da permeabilidade capilar, resulta em uma má distribuição do fluxo sanguíneo e hipoperfusão de órgãos vitais, mesmo com um débito cardíaco que pode estar normal ou elevado. A hipoperfusão tecidual leva ao metabolismo anaeróbico, com consequente elevação do lactato sérico, que é um importante marcador de gravidade e prognóstico. O tratamento inicial do choque séptico é uma emergência médica e envolve a administração precoce de antibióticos de amplo espectro, ressuscitação volêmica com cristaloides e, se a hipotensão persistir, o uso de vasopressores. A monitorização hemodinâmica e a avaliação da resposta à terapia são cruciais. O uso de corticosteroides sistêmicos é reservado para pacientes que permanecem hemodinamicamente instáveis apesar da reposição volêmica e do uso de vasopressores, em doses de estresse. A leucocitose é um sinal de infecção, mas não é um marcador exclusivo ou confiável de choque séptico, que é definido pela hipotensão persistente e necessidade de vasopressores para manter a pressão arterial média ≥ 65 mmHg e lactato sérico > 2 mmol/L, apesar de fluidoterapia adequada.

Perguntas Frequentes

Qual é a principal alteração hemodinâmica no choque séptico?

A principal alteração é a vasodilatação arterial e venosa generalizada, que leva a uma diminuição da resistência vascular sistêmica e, consequentemente, à hipotensão e má distribuição do fluxo sanguíneo, resultando em hipoperfusão tecidual.

Por que o lactato sérico está elevado no choque séptico?

O lactato sérico elevado reflete predominantemente a hipoperfusão tecidual e o metabolismo anaeróbico resultante da inadequada oferta de oxigênio aos tecidos, embora a diminuição da depuração hepática também possa contribuir.

Qual o papel da fluidoterapia e dos vasopressores no tratamento inicial do choque séptico?

A fluidoterapia agressiva inicial visa corrigir a hipovolemia relativa e otimizar a pré-carga. Se a hipotensão persistir após a reposição volêmica, vasopressores (como a noradrenalina) são indicados para manter a pressão de perfusão e combater a vasodilatação.

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