Choque Séptico: Manejo Inicial e Uso de Noradrenalina

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente do sexo feminino de 52 anos de idade, hipertensa, admitida na sala de emergências com hipótese diagnóstica de sepse de foco pulmonar. Encontra-se confusa, hipotensa com PA 80x42 mmHg (PAM: 55 mmHg), extremidades frias e tempo de enchimento capilar de 6. Iniciada antibioticoterapia empírica com ceftriaxone e claritromicina intravenosos. Realizada prova volêmica com 500 mL de Ringer Lactato, sem reversão do quadro. ⦁ POCUS Pulmonar: Lung sliding preservado + Linhas B bilaterais, sem outras alterações. ⦁ POCUS Cardíaco: VTI: 18 (VR > 17). ⦁ Exame de imagem de veia cava inferior a seguir: Assinale qual é a melhor conduta terapêutica no momento atual. 

Alternativas

  1. A) Realizar nova prova volêmica até completar 30 mL/kg em 3 horas. 
  2. B) Realizar punção venosa central guiada por USG para iniciar noradrenalina. 
  3. C) Iniciar noradrenalina em acesso venoso periférico proximal. 
  4. D) Iniciar dose de estresse de furosemida devido indícios de congestão sistêmica. 

Pérola Clínica

Choque séptico refratário a fluidos + VTI normal/alto + Linhas B → Iniciar noradrenalina, pode ser em acesso periférico proximal.

Resumo-Chave

Em choque séptico com hipotensão persistente após prova volêmica e evidências de débito cardíaco adequado (VTI normal/alto) ou congestão pulmonar (Linhas B), o próximo passo é iniciar vasopressores. A noradrenalina é a primeira escolha e pode ser iniciada em acesso periférico proximal em emergências.

Contexto Educacional

O choque séptico é uma condição de emergência caracterizada por disfunção circulatória e celular/metabólica grave, com hipotensão persistente que requer vasopressores para manter uma pressão arterial média (PAM) ≥ 65 mmHg, apesar de uma reposição volêmica adequada. O manejo inicial é crítico e envolve a administração precoce de antibióticos e fluidos. Após uma prova volêmica inicial (geralmente 30 mL/kg de cristaloides nas primeiras 3 horas), se a hipotensão persiste, o paciente é considerado refratário a fluidos. Nesse ponto, a avaliação hemodinâmica, muitas vezes guiada por POCUS (Point-of-Care Ultrasound), torna-se essencial. Achados como um VTI (Velocity Time Integral) normal ou elevado e a presença de linhas B bilaterais no POCUS pulmonar sugerem que o débito cardíaco pode estar adequado ou que há risco de congestão, e que mais fluidos podem ser prejudiciais. Nesse cenário, a introdução de vasopressores é imperativa. A noradrenalina é o vasopressor de primeira linha devido à sua eficácia em aumentar a PAM e melhorar a perfusão. Embora o acesso venoso central seja o ideal para infusão contínua de vasopressores, em situações de emergência e choque grave, a noradrenalina pode ser iniciada temporariamente em um acesso venoso periférico de grosso calibre e proximal, sob monitorização rigorosa, para evitar atrasos no tratamento que possam impactar negativamente o prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quando iniciar vasopressores no choque séptico?

Vasopressores devem ser iniciados quando o paciente permanece hipotenso (PAM < 65 mmHg) após uma prova volêmica inicial adequada, indicando choque refratário a fluidos e necessidade de suporte vasopressor para manter a perfusão.

Qual o papel do POCUS na avaliação do choque séptico?

O POCUS (Point-of-Care Ultrasound) auxilia na avaliação da responsividade a fluidos (VCI, VTI), função cardíaca e presença de congestão pulmonar (linhas B), guiando o manejo e evitando sobrecarga hídrica.

É seguro iniciar noradrenalina em acesso venoso periférico?

Sim, em situações de emergência e choque grave, a noradrenalina pode ser iniciada temporariamente em um acesso venoso periférico de grosso calibre e proximal, enquanto se aguarda a obtenção de um acesso venoso central, minimizando o atraso no tratamento.

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