UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte — Prova 2022
Paciente de 22 anos da entrada no pronto socorro devido a episódios importantes de diarreia e febre, iniciados há 05 dias. Ao exame você percebe que ele está desidratado e sonolento. Os acompanhantes negam que paciente faça uso de medicações ou tenha comorbidades. Ao exame físico: REG, sonolento, Glasgow 11 (O3V3M5), desidratado IV+/IV+, pele fria. Taquicárdico, ausculta cardíaca em sopros. FC: 138 bpm e PA: 70 × 40 mmHg. Ausculta pulmonar sem achados. Taquipneico, FR: 27 irpm e saturação de 98% em ar ambiente. Abdome plano, normotenso, ruídos hiperativos e sem dor a palpação. Exames laboratoriais: hemograma com leucocitose, neutrofilia, desvio à esquerda e presença de granulações tóxicas. Contagem de plaquetas e coagulograma normais. Cr 2,8mg/dL e U 95 mg/dL. Na+ 148 mEq/L, K+ 3,0 mEq/L. Cl −120 mEq/L (VR 90-110 mEq/L). Albumina 4g/dL. Lactato 18 mg/dL (VR 18 mg/dL). Gasometria arterial: pH 7,0; HCO₃ de 5 mEq/L; pCO2 28 mmHg. Neste caso é CORRETO AFIRMAR que:
Paciente com infecção + disfunção orgânica (qSOFA ≥ 2) + lactato > 2 mmol/L e/ou vasopressor para PAM ≥ 65 mmHg → Choque Séptico.
O paciente apresenta critérios para choque séptico segundo o Sepsis-3: infecção presumida (diarreia e febre), disfunção orgânica (Glasgow 11, PA 70x40, Cr 2.8, lactato 18 mg/dL, acidose metabólica) e hipotensão persistente após fluidos (implícita pela gravidade e necessidade de vasopressor para manter PAM > 65 mmHg, ou lactato elevado). A conduta inclui expansão volêmica, culturas e antibioticoterapia precoce.
A sepse é uma disfunção orgânica com risco de vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção. O choque séptico é uma subcategoria da sepse em que as anormalidades circulatórias e metabólicas celulares são profundas o suficiente para aumentar substancialmente a mortalidade. É uma emergência médica que requer reconhecimento e tratamento imediatos. A epidemiologia mostra que a sepse e o choque séptico são causas significativas de morbidade e mortalidade em todo o mundo, especialmente em unidades de terapia intensiva. O diagnóstico de sepse, conforme o Sepsis-3, requer uma infecção presumida ou confirmada e um aumento agudo de 2 ou mais pontos no escore SOFA (Sequential Organ Failure Assessment). O choque séptico é diagnosticado quando, além da sepse, o paciente apresenta hipotensão persistente que requer vasopressores para manter uma pressão arterial média (PAM) ≥ 65 mmHg E um lactato sérico > 2 mmol/L (18 mg/dL), apesar de ressuscitação volêmica adequada. O paciente do caso apresenta múltiplos critérios de disfunção orgânica (Glasgow, PA, Cr, lactato, acidose) e infecção (diarreia e febre). O tratamento do choque séptico é uma corrida contra o tempo e segue o 'bundle' de sepse. As medidas incluem expansão volêmica agressiva com cristaloides (30 mL/kg nas primeiras 3 horas), coleta de culturas (sangue, urina, etc.) antes do início da antibioticoterapia, e administração precoce de antibióticos de amplo espectro (idealmente dentro de 1 hora do reconhecimento). Se a hipotensão persistir após a reposição volêmica, vasopressores (noradrenalina como primeira escolha) devem ser iniciados para manter a PAM ≥ 65 mmHg. O monitoramento do lactato é crucial para guiar a ressuscitação.
Choque séptico é definido como sepse (infecção + disfunção orgânica) mais hipotensão persistente que requer vasopressores para manter uma pressão arterial média (PAM) ≥ 65 mmHg E um lactato sérico > 2 mmol/L (18 mg/dL) após ressuscitação volêmica adequada.
A conduta inicial inclui a administração rápida de cristaloides (30 mL/kg nas primeiras 3 horas), coleta de culturas (sangue, urina, etc.) antes da antibioticoterapia, início precoce de antibióticos de amplo espectro, e uso de vasopressores (noradrenalina como primeira escolha) se a hipotensão persistir após a expansão volêmica.
O lactato sérico é um marcador de hipoperfusão tecidual e disfunção mitocondrial. Níveis elevados de lactato (> 2 mmol/L) são um critério diagnóstico para choque séptico e um indicador de gravidade e pior prognóstico, guiando a ressuscitação.
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