Choque Séptico: Manejo Inicial e Protocolo de 1 Hora

PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2023

Enunciado

Chega ao pronto socorro uma paciente do sexo feminino, 58 anos de idade, com quadro de febre há dois dias, associado a mal-estar, perda de apetite e calafrios. Os familiares que a acompanham relataram que a paciente estava tratando como quadro gripal e que naquele dia, apresentou-se confusa e por isso os familiares a trouxeram. A paciente apresentava urina de odor fétido e turva. Ao exame estava confusa, sudoreica, perfusão periférica ruim, frequência respiratória de 22 irpm e PA= 75/45 mmHg. Diante desse quadro, qual conduta deve ser adotada?

Alternativas

  1. A) Solicitar exame, incluindo hemocultura e urocultura, iniciar infusão de cristaloides a 30 mL/kg/h em 3 horas, caso não haja melhora hemodinâmica, iniciar noradrenalina, associar antibioticoterapia de preferência na primeira hora.
  2. B) Solicitar exames, incluindo culturas, iniciar infusão de cristaloides a 10 mL/kg em 3 horas, associado a noradrenalina e iniciar antibiótico caso a hemocultura ou as provas de atividade inflamatória comprovem ou sugiram infecção.
  3. C) Solicitar exames incluindo culturas, iniciar infusão de cristaloide a 30 mL/kg nas 3 primeiras horas de acordo com os sinais de hipoperfusão tecidual, associado a noradrenalina e antibiótico terapia na primeira hora.
  4. D) Solicitar exames, incluindo culturas, iniciar infusão de cristaloide a 10 mL/kg em 1 hora, iniciar vasopressor caso não haja resposta com a ressuscitação volêmica e iniciar antibióticoterapia caso ou a hemocultura ou as provas de atividade inflamatória comprovem ou sugiram infecção.

Pérola Clínica

Choque séptico → Coleta culturas, ATB 1h, cristaloides 30 mL/kg (3h), vasopressor se hipotensão persistir.

Resumo-Chave

O manejo inicial do choque séptico exige uma abordagem rápida e coordenada, incluindo a coleta de culturas, início de antibioticoterapia empírica de amplo espectro na primeira hora, ressuscitação volêmica com cristaloides (30 mL/kg nas primeiras 3 horas) e, se necessário, vasopressores como a noradrenalina para manter a pressão arterial.

Contexto Educacional

O choque séptico é uma condição de emergência médica com alta morbimortalidade, caracterizada por disfunção orgânica induzida por uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção, resultando em hipotensão persistente apesar da ressuscitação volêmica. A identificação e o tratamento rápidos são cruciais para melhorar os desfechos. A fisiopatologia envolve vasodilatação, aumento da permeabilidade capilar, disfunção miocárdica e alterações metabólicas que levam à má perfusão tecidual e disfunção celular. O diagnóstico é clínico, baseado em sinais de infecção e disfunção orgânica, com hipotensão e/ou lactato elevado. A suspeita de urosepse é comum em pacientes com sintomas urinários e quadro sistêmico. O manejo inicial segue o 'Pacote de Sepse' ou 'Hour-1 Bundle', que inclui a coleta de culturas (hemocultura, urocultura, etc.) antes da administração de antibióticos, o início de antibioticoterapia empírica de amplo espectro na primeira hora, a ressuscitação volêmica com 30 mL/kg de cristaloides nas primeiras 3 horas, e o uso de vasopressores (noradrenalina como primeira escolha) se a hipotensão persistir. A monitorização hemodinâmica e do lactato é essencial para guiar a terapia.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnóstico de choque séptico?

Choque séptico é definido por sepse (infecção + disfunção orgânica) e necessidade de vasopressores para manter PAM ≥ 65 mmHg, apesar de ressuscitação volêmica adequada, e lactato sérico > 2 mmol/L.

Qual a importância da antibioticoterapia na primeira hora do choque séptico?

O início precoce da antibioticoterapia de amplo espectro na primeira hora do reconhecimento do choque séptico está associado a uma redução significativa da mortalidade, sendo um pilar fundamental do tratamento.

Quando se deve iniciar vasopressores no choque séptico?

Vasopressores devem ser iniciados se a hipotensão persistir (PAM < 65 mmHg) após a administração inicial de 30 mL/kg de cristaloides, sendo a noradrenalina o vasopressor de primeira escolha.

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