Choque Séptico em Idosos: Diagnóstico e Manejo Urgente

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2023

Enunciado

Paciente, de 68 anos, foi trazido por seus familiares para UPA, para avaliação devido quadro de confusão mental e sonolência nos últimos três dias, que piorou hoje, associado a surgimento de tosse com escarro esverdeado, além de episódio de vômitos. Refere histórico de acompanhamento com urologista por hiperplasia prostática benigna, em uso de finasterida. Nega outras comorbidades e nega uso de antibióticos nos últimos meses. No momento, paciente apresentando PA 80x40 e sonolência (Escala de coma de Glasgow 13 - abertura ocular 3 pontos; resposta verbal 4 pontos; resposta motora 6 pontos). FC = 110 bpm, em ritmo sinusal. FR = 32 irpm. Ausculta cardíaca normal. Ausculta pulmonar com crepitações em base direita. Abdome flácido, indolor. Tempo de enchimento capilar de 5 segundos. Sem edema em membros inferiores. Qual das opções abaixo descreve a conduta mais correta para essa situação clínica?

Alternativas

  1. A) Iniciar tratamento por via intravenosa com levofloxacino com necessidade de internação hospitalar em ambiente de enfermaria
  2. B) Iniciar expansão volêmica com cristaloides e prescrever ceftriaxona, após confirmação de resultado em culturas, e internação em leito de UTI.
  3. C) Iniciar expansão volêmica com cristaloides, coleta de culturas e lactato, associar ceftriaxona e azitromicina empíricos e internação em leito de UTI.
  4. D) Iniciar tratamento ambulatorial com antibioticoterapia via oral com amoxicilina e azitromicina com acompanhamento na unidade básica de saúde.

Pérola Clínica

Idoso com infecção + disfunção orgânica (confusão, hipotensão, taquipneia, TPC > 3s) → Sepse/Choque Séptico. Conduta: Fluidos, culturas, lactato, ATB empírico amplo (Ceftriaxona + Azitromicina), UTI.

Resumo-Chave

O paciente idoso apresenta sinais de infecção (tosse com escarro, crepitações pulmonares) e disfunção orgânica aguda (confusão mental, sonolência, hipotensão, taquipneia, tempo de enchimento capilar prolongado), configurando um quadro de choque séptico, provavelmente de origem pulmonar (pneumonia). A conduta imediata e correta envolve a expansão volêmica com cristaloides, coleta de culturas e lactato, início de antibioticoterapia empírica de amplo espectro (ceftriaxona + azitromicina para cobrir germes atípicos e típicos da pneumonia comunitária grave) e internação em UTI.

Contexto Educacional

O paciente apresenta um quadro de sepse grave evoluindo para choque séptico, provavelmente secundário a uma pneumonia comunitária. A sepse é uma disfunção orgânica com risco de vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção. Em idosos, a apresentação pode ser atípica, com confusão mental e sonolência sendo os principais sinais de alerta, mesmo sem febre. O diagnóstico de choque séptico é caracterizado por sepse mais hipotensão persistente que requer vasopressores para manter uma PAM ≥ 65 mmHg e lactato sérico > 2 mmol/L, apesar de ressuscitação volêmica adequada. Os sinais vitais alterados (PA 80x40, FC 110, FR 32) e o tempo de enchimento capilar prolongado (5 segundos) indicam hipoperfusão tecidual grave. A ausculta pulmonar com crepitações em base direita sugere o foco infeccioso. A conduta imediata, dentro da "hora de ouro" da sepse, inclui a expansão volêmica agressiva com cristaloides, coleta de culturas (sangue, escarro) e lactato sérico para guiar o tratamento e avaliar a gravidade. A antibioticoterapia empírica de amplo espectro deve ser iniciada sem demora; a combinação de ceftriaxona (para bactérias típicas) e azitromicina (para atípicos) é apropriada para pneumonia comunitária grave. A internação em UTI é imperativa devido à gravidade do quadro.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para suspeitar de sepse ou choque séptico em um paciente idoso?

Em idosos, a sepse pode se manifestar com sintomas atípicos como confusão mental, sonolência, hipotensão, taquipneia e tempo de enchimento capilar prolongado, mesmo sem febre. A presença de uma fonte infecciosa, como pneumonia, associada a disfunção orgânica, sugere o diagnóstico.

Qual a importância da expansão volêmica e da coleta de lactato no manejo inicial do choque séptico?

A expansão volêmica com cristaloides é crucial para restaurar a perfusão tecidual e corrigir a hipotensão no choque séptico. A coleta de lactato sérico é fundamental para avaliar a hipoperfusão tecidual e monitorar a resposta ao tratamento, sendo um marcador prognóstico importante.

Por que a combinação de ceftriaxona e azitromicina é uma escolha empírica comum para pneumonia grave com sepse?

A ceftriaxona oferece cobertura para patógenos típicos da pneumonia comunitária, como Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae. A azitromicina é adicionada para cobrir patógenos atípicos (Mycoplasma pneumoniae, Chlamydophila pneumoniae, Legionella spp.), que são frequentes em pneumonias graves e não são cobertos pela ceftriaxona isoladamente.

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