UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2024
Paciente feminina, de 45 anos, foi trazida à Emergência por febre alta, calafrios, dor lombar e sintomas urinários. O exame comum de urina revelou piúria e bacteriúria. Foi diagnosticada com pielonefrite aguda, tendo sido iniciada terapia antibiótica intravenosa. Após 24 horas na Sala de Emergência, a paciente evoluiu com sonolência, hipotensão e oligúria. O resultado da gasometria arterial mostrou nível de lactato de 2 mmol/l (valor de referência: 0,5-1,6 mmol/l). Com base no quadro, assinale a assertiva correta.
Infecção + hipotensão + disfunção orgânica (oligúria, sonolência) + lactato > 2 mmol/L → Choque Séptico, internação UTI.
A paciente apresenta sinais de infecção (pielonefrite) evoluindo para disfunção orgânica (sonolência, oligúria) e hipotensão, com lactato sérico elevado (>2 mmol/L). Este quadro configura choque séptico, uma emergência médica que exige internação imediata em UTI para monitoramento e suporte avançado.
A pielonefrite aguda é uma infecção grave do trato urinário superior que, se não tratada adequadamente ou em pacientes com fatores de risco, pode evoluir para sepse e choque séptico. A sepse é uma emergência médica caracterizada por disfunção orgânica com risco de vida, causada por uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção. O reconhecimento precoce e o manejo agressivo são cruciais para melhorar os desfechos. A progressão para choque séptico é indicada pela presença de hipotensão persistente que requer vasopressores para manter a pressão arterial média e um lactato sérico elevado (> 2 mmol/L), mesmo após a ressuscitação volêmica inicial. No caso apresentado, a paciente desenvolveu sonolência, hipotensão e oligúria, além de um lactato de 2 mmol/L, configurando um quadro de choque. A fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória sistêmica descontrolada que leva à vasodilatação, aumento da permeabilidade vascular e disfunção microcirculatória, resultando em hipoperfusão tecidual e metabolismo anaeróbico. Diante de um diagnóstico de choque séptico, a conduta imediata é a internação em unidade de terapia intensiva (UTI) para monitoramento hemodinâmico contínuo, otimização da ressuscitação volêmica, início ou ajuste de vasopressores, suporte de órgãos e controle da fonte da infecção com antibioticoterapia adequada. A elevação do lactato é um sinal de alerta grave e um indicador prognóstico importante, exigindo intervenção rápida para reverter a hipoperfusão.
O choque séptico é diagnosticado em pacientes com sepse que, apesar da ressuscitação volêmica adequada, necessitam de vasopressores para manter uma pressão arterial média ≥ 65 mmHg e apresentam lactato sérico > 2 mmol/L.
O lactato sérico é um marcador de hipoperfusão tecidual e metabolismo anaeróbico. Níveis elevados indicam gravidade, disfunção orgânica e estão associados a um pior prognóstico na sepse e choque séptico, sendo um alvo para guiar a ressuscitação.
As manifestações de disfunção orgânica incluem alteração do estado mental (sonolência, confusão), hipotensão refratária a fluidos, oligúria ou anúria, hipoxemia, coagulopatia, trombocitopenia e elevação de enzimas hepáticas ou bilirrubinas.
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