Choque Séptico Pós-Operatório: Manejo Inicial e Urosepse

CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2025

Enunciado

Um homem de 70 anos, hipertenso e ex-tabagista, foi submetido a uma ressecção transuretral da próstata (RTU) devido a hiperplasia prostática benigna. No segundo dia de pós-operatório, começa a apresentar confusão mental com alternância entre períodos de agitação e sonolência. A avaliação inicial revela pressão arterial de 85/50 mmHg, frequência cardíaca de 120 bpm, e frequência respiratória de 28 irpm. A temperatura é de 39°C e a diurese foi de apenas 150 mL nas últimas 12 horas. O exame físico mostra sensibilidade suprapúbica e saída de urina turva pelo cateter vesical. Os exames laboratoriais indicam leucocitose de 17.000/mm³, creatinina de 2,4 mg/dL (basal 1,4 mg/dL) e lactato de 3,8 mmol/L. Com base no quadro clínico, qual é a conduta inicial mais apropriada?

Alternativas

  1. A) Trocar o cateter vesical e observar a evolução clínica antes de acionar a Nefrologia para avaliação de terapia renal substitutiva (hemodiálise).
  2. B) Realizar reposição volêmica agressiva com cristaloides, coletar culturas e iniciar antibiótico empírico de amplo espectro.
  3. C) Administrar diurético intravenoso para aumentar a diurese e evitar sobrecarga hídrica, visto que paciente é idoso.
  4. D) Iniciar sedação contínua e ventilação mecânica preventiva para controle da agitação, para minimizar risco de broncoaspiração.

Pérola Clínica

Pós-op com febre, hipotensão, taquicardia, disfunção orgânica e lactato ↑ → Choque séptico = Fluidos, culturas, ATB empírico.

Resumo-Chave

O paciente apresenta sinais de sepse e choque séptico (hipotensão, taquicardia, febre, disfunção orgânica, lactato elevado) após RTU, provavelmente por urosepse. A conduta inicial prioritária é reposição volêmica agressiva, coleta de culturas e início imediato de antibióticos de amplo espectro.

Contexto Educacional

O paciente apresenta um quadro clínico grave e rapidamente progressivo no pós-operatório de RTU, com sinais claros de sepse e choque séptico. A hiperplasia prostática benigna e o procedimento cirúrgico aumentam o risco de infecções do trato urinário (ITU) e urosepse. A confusão mental, hipotensão, taquicardia, febre, oligúria, leucocitose e lactato elevado são marcadores de disfunção orgânica e hipoperfusão tecidual, característicos do choque séptico. O manejo inicial do choque séptico é uma emergência médica e deve seguir o "bundle" da campanha Sobrevivendo à Sepse, que enfatiza a importância da rapidez. As prioridades incluem: 1) Coleta de culturas (sangue, urina, ferida cirúrgica, etc.) antes da administração de antibióticos, se possível, mas sem atrasar o tratamento; 2) Início imediato de antibióticos empíricos de amplo espectro, que cubram os patógenos mais prováveis (neste caso, gram-negativos comuns em ITU); e 3) Reposição volêmica agressiva com cristaloides (30 mL/kg nas primeiras 3 horas) para restaurar a perfusão. Atrasos na administração de antibióticos e na reposição volêmica estão associados a um aumento significativo da mortalidade. Outras medidas incluem o controle da fonte de infecção (drenagem de abscessos, remoção de cateteres infectados), uso de vasopressores se a hipotensão persistir após a reposição volêmica, e suporte de órgãos. A opção A atrasa o tratamento, C é contraindicada pela hipotensão e oligúria, e D não aborda a causa subjacente e pode ser necessária apenas após estabilização inicial.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas de choque séptico em um paciente pós-operatório?

Sinais incluem hipotensão persistente, taquicardia, febre ou hipotermia, alteração do estado mental, oligúria, lactato elevado, e sinais de disfunção orgânica como aumento da creatinina.

Qual a importância da reposição volêmica agressiva no manejo inicial do choque séptico?

A reposição volêmica com cristaloides visa restaurar a perfusão tecidual e a pressão arterial, combatendo a hipovolemia relativa e a vasodilatação características do choque séptico, sendo crucial para a estabilização hemodinâmica.

Por que a antibioticoterapia de amplo espectro deve ser iniciada imediatamente na suspeita de choque séptico?

O início precoce de antibióticos apropriados é crucial para combater a infecção subjacente e melhorar os desfechos, reduzindo a mortalidade no choque séptico. Cada hora de atraso aumenta significativamente o risco de óbito.

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