Choque Séptico Pediátrico: Manejo Inicial e Urgências

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2019

Enunciado

Você está trabalhando como médico da família e atende um adolescente de 14 anos com quadro de vômitos e febre desde hoje de manhã. Ao meio-dia, os pais referem que está prostrado e, no final da tarde, iniciou com manchas arroxeadas no corpo todo. Ao exame: MEG, pálido, FC 148, FR 18, PA 86x55. Respiratório com padrão irregular, gasping, cardiovascular sem alterações. Pele: presença de sufusões hemorrágicas difusas. Neurológico: sonolento e irresponsivo, sem sinais meníngeos. Sua conduta inicial imediata é 

Alternativas

  1. A) ventilação com ambu e máscara, soro fisiológico 5-10 ml/kg, colher exames. 
  2. B) intubação orotraqueal, soro fisiológico 5-30 ml/kg, ceftriaxone dose de ataque.
  3. C) intubação orotraqueal, dopamina, colher exames, ceftriaxone dose de ataque. 
  4. D) intubação orotraqueal, ringer lactato 20ml/kg, colher exames, ampicilina e cloranfenicol. 
  5. E) ventilação com ambu e máscara, ringer lactato 20ml/kg, ceftriaxone, colher exames.

Pérola Clínica

Adolescente com febre, prostração, hipotensão e sufusões hemorrágicas → Choque séptico (meningococcemia) → ABC + fluidos + ATB imediato.

Resumo-Chave

A rápida progressão dos sintomas, a presença de choque (taquicardia, hipotensão, alteração do nível de consciência) e o rash purpúrico são altamente sugestivos de meningococcemia com choque séptico. A conduta inicial deve priorizar a estabilização das vias aéreas e respiração, ressuscitação volêmica agressiva e antibioticoterapia empírica precoce.

Contexto Educacional

O choque séptico pediátrico é uma condição grave e potencialmente fatal, caracterizada por disfunção orgânica induzida por uma resposta desregulada à infecção. A meningococcemia é uma das causas mais fulminantes, com rápida progressão e alta mortalidade se não tratada prontamente. A epidemiologia da sepse pediátrica é significativa, sendo uma das principais causas de internação em UTIs pediátricas. A fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória sistêmica exacerbada, levando a vasodilatação, aumento da permeabilidade capilar, disfunção miocárdica e má distribuição do fluxo sanguíneo, resultando em hipoperfusão tecidual e disfunção de múltiplos órgãos. O diagnóstico é clínico, baseado em sinais de infecção e disfunção orgânica. A suspeita deve ser alta em pacientes com febre, prostração, taquicardia, hipotensão e, especialmente, rash purpúrico. O tratamento é uma emergência médica que exige uma abordagem rápida e sistemática, seguindo os princípios do ABCDE. As prioridades incluem estabilização das vias aéreas e respiração, ressuscitação volêmica agressiva com cristaloides, antibioticoterapia empírica de amplo espectro iniciada na primeira hora, e suporte vasopressor se o choque persistir após a reposição volêmica. A coleta de exames, incluindo culturas, deve ser feita sem atrasar as intervenções que salvam vidas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para choque séptico em adolescentes?

Sinais de alerta incluem taquicardia, hipotensão, tempo de enchimento capilar prolongado, alteração do nível de consciência, oligúria e pele marmórea ou com sufusões hemorrágicas.

Qual a importância da ressuscitação volêmica no choque séptico pediátrico?

A ressuscitação volêmica agressiva com cristaloides (20 mL/kg em bolus) é crucial para restaurar a perfusão tecidual e a pressão arterial, sendo a primeira linha de tratamento para o choque séptico fluido-responsivo.

Por que o Ceftriaxone é a escolha inicial para suspeita de meningococcemia?

O Ceftriaxone é um antibiótico de amplo espectro, com excelente penetração no sistema nervoso central, eficaz contra Neisseria meningitidis e outras bactérias comuns causadoras de sepse grave, sendo a escolha empírica inicial.

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