Choque Séptico: Manejo Hemodinâmico com Noradrenalina

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 68 anos, masculino, deu entrada na UPA da Praia do Futuro com quadro de tosse cheia há 4 dias, associado a febre e queda importante do estado geral associado a episódios de agitação psicomotora alternando com sonolência excessiva. Histórico de hipertensão arterial em uso de enalapril e Diabetes Mellitus em uso de metformina e glibenclamida. Estado geral comprometido, sonolento (Escala de Coma de Glasgow = 13 - AO3RV4RM6), FC = 120bpm, FR = 28irpm, PA 80x50 mmHg, SpO₂ 94% com cateter nasal 2L/min. Ausculta cardíaca normal. Ausculta pulmonar com crepitações em terço médio e base direita. Abdome flácido. Tempo de enchimento capilar de 5 segundos. Realizada expansão volêmica com 1000ml de Ringer lactato, sem melhora da FC e PA, com surgimento de linhas B pulmonares em bases após realização de USG pulmonar. De acordo com o exposto, qual a conduta mais adequada em relação ao controle hemodinâmico?

Alternativas

  1. A) Infusão de 1000ml de soro glicofisiológico.
  2. B) Infusão de noradrenalina em acesso venoso periférico.
  3. C) Infusão de dopamina somente após punção de acesso venoso central.
  4. D) Infusão de vasopressina e hidrocortisona em acesso venoso periférico.

Pérola Clínica

Choque séptico refratário a fluidos com sinais de congestão pulmonar → iniciar noradrenalina, que pode ser administrada via acesso periférico por curto período.

Resumo-Chave

O paciente apresenta quadro de sepse com choque séptico (hipotensão persistente apesar da reposição volêmica inicial) e sinais de congestão pulmonar (linhas B na USG), indicando que mais fluidos não são a melhor opção. A noradrenalina é o vasopressor de primeira escolha para choque séptico e pode ser iniciada em acesso venoso periférico enquanto se aguarda um acesso central.

Contexto Educacional

O choque séptico é uma condição grave e potencialmente fatal, caracterizada por disfunção orgânica induzida por uma resposta desregulada do hospedeiro à infecção, resultando em hipotensão persistente que requer vasopressores e lactato elevado, apesar da reposição volêmica adequada. É uma das principais causas de mortalidade em unidades de terapia intensiva, e seu reconhecimento e manejo precoce são cruciais. O paciente do caso apresenta um quadro de pneumonia grave evoluindo para sepse e choque séptico, evidenciado pela hipotensão (PA 80x50 mmHg), taquicardia (FC 120bpm), taquipneia (FR 28irpm), alteração do estado mental (Glasgow 13) e tempo de enchimento capilar prolongado. Após a expansão volêmica inicial com 1000ml de Ringer lactato, não houve melhora hemodinâmica e surgiram linhas B pulmonares na ultrassonografia, indicando congestão e a necessidade de evitar mais fluidos. Nesse cenário, a noradrenalina é o vasopressor de primeira escolha para o choque séptico, visando restaurar a pressão de perfusão. Embora o acesso venoso central seja o ideal para infusão de vasopressores, a noradrenalina pode ser iniciada em acesso venoso periférico de grande calibre por um curto período, especialmente em situações de emergência, enquanto se aguarda a passagem de um cateter central. A dopamina é uma alternativa de segunda linha, com mais efeitos adversos, e a vasopressina e hidrocortisona são consideradas em casos específicos ou como terapia adjuvante.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnóstico de choque séptico?

Choque séptico é definido por sepse com hipotensão persistente que requer vasopressores para manter uma PAM ≥ 65 mmHg e lactato sérico > 2 mmol/L, apesar de reposição volêmica adequada.

Qual o vasopressor de primeira escolha no choque séptico e por quê?

A noradrenalina é o vasopressor de primeira escolha no choque séptico devido à sua potente ação alfa-adrenérgica, que aumenta a pressão arterial, e menor incidência de arritmias em comparação com a dopamina.

É seguro iniciar noradrenalina em acesso venoso periférico?

Sim, a noradrenalina pode ser iniciada em acesso venoso periférico de grande calibre, preferencialmente em veias antecubitais, por um curto período (poucas horas), enquanto se aguarda a obtenção de um acesso venoso central.

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