Manejo do Choque Séptico Refratário: Quando usar Vasopressina

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 76 anos é admitido em serviço de emergência com quadro de confusão mental, dispneia e rebaixamento do nível de consciência. Fazia uso prévio também de metformina 850mg, fluoxetina 20mg e enalapril 10mg a cada 12 horas. Ao exame físico, apresentava-se sonolento, confuso, com 7 pontos na escala de coma de Glasgow. Sua frequência respiratória era de 24ipm, sua frequência cardíaca de 110bpm, seu tempo de enchimento capilar estava de 5 segundos e sua pressão arterial era de 84/54 mmHg. A Radiografia de tórax do paciente confirma o diagnóstico de pneumonia. O paciente não apresentou resposta à expansão volêmica, foi então iniciado Noradrenalina. Apesar do aumento progressivo da vazão da droga, ele segue hipotenso. Qual seria a conduta mais adequada nesse momento?

Alternativas

  1. A) Associar Dobutamina.
  2. B) Associar Vasopressina.
  3. C) Associar Milrinone.
  4. D) Associar Fenilefrina.
  5. E) Associar Dopamina em dose dopaminérgica.

Pérola Clínica

Choque séptico refratário à Noradrenalina → Associar Vasopressina (0,03 U/min) precocemente.

Resumo-Chave

No choque séptico com necessidade de doses crescentes de noradrenalina, a vasopressina é o segundo agente de escolha para atingir a PAM alvo e reduzir a carga adrenérgica.

Contexto Educacional

O manejo do choque séptico exige uma abordagem escalonada e rápida. Após a ressuscitação volêmica inicial (30 ml/kg de cristaloides), a noradrenalina é o vasopressor de primeira linha devido ao seu perfil de segurança e eficácia alfa-adrenérgica. No entanto, a vasoplegia intensa pode levar à refratariedade. A vasopressina surge como o segundo agente preferencial. Em estados de choque prolongado, ocorre uma deficiência relativa de vasopressina endógena, tornando a reposição exógena altamente eficaz. Além disso, as diretrizes atuais sugerem que a adição de vasopressina pode reduzir a incidência de fibrilação atrial em comparação com o aumento isolado da noradrenalina. Se o choque persistir e houver suspeita de insuficiência adrenal, o uso de hidrocortisona também deve ser considerado.

Perguntas Frequentes

Quando indicar a vasopressina no choque séptico?

De acordo com o Surviving Sepsis Campaign, a vasopressina deve ser considerada quando a dose de noradrenalina atinge níveis elevados (geralmente entre 0,25 a 0,5 mcg/kg/min) sem que a Pressão Arterial Média (PAM) alvo seja atingida. A associação precoce visa não apenas o controle pressórico, mas também a redução da dose total de noradrenalina ('sparing effect'), diminuindo os efeitos colaterais adrenérgicos como arritmias e isquemia miocárdica.

Por que a dobutamina não é a primeira escolha neste caso?

A dobutamina é um inotrópico indicado quando há evidência de disfunção miocárdica (baixo débito cardíaco) ou sinais de hipoperfusão persistente apesar de PAM adequada e volemia otimizada. No caso descrito, o paciente apresenta choque vasoplégico (hipotensão refratária com tempo de enchimento capilar lentificado), onde a prioridade é restaurar a resistência vascular sistêmica. Sem evidência de baixo índice cardíaco, a dobutamina pode inclusive piorar a hipotensão por seu efeito beta-2 vasodilatador.

Qual a dose recomendada de vasopressina na sepse?

A dose padrão de vasopressina no choque séptico é de 0,03 U/min (dose fixa). Diferente da noradrenalina, a vasopressina não deve ser titulada para cima, pois doses superiores a 0,04-0,06 U/min estão associadas a maior risco de isquemia mesentérica e digital. Ela atua nos receptores V1a da musculatura lisa vascular, restaurando o tônus vascular que está depletado na sepse grave.

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