Diagnóstico de Choque Séptico: Critérios Sepsis-3

PMFI - Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu (PR) — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 49 anos, sexo feminino, dá entrada na UPA. Refere que há aproximadamente 1 semana percebeu início de mal estar, astenia, perda de apetite, e há 3 dias evolui com sensação febril, calafrios, e dor lombar. Questionada sobre sintomas urinários, diz estar com dificuldade para urinar, com sensação dolorosa de "pontada" ao início da micção. Antecedentes: diabética, em uso de metformina 850mg 2x ao dia, e dislipidêmica em uso de sinvastatina, obesidade. Ao exame físico na admissão: lúcida e orientada, vígil, mucosas normocrômicas, escleras anictéricas, febre 38ºC, FC 110bpm, PA 120x90mmHg, TEC 2s, exame físico abdominal, cardiovascular, respiratório sem alterações. Ao ser sondada, saída de diurese com piúria maciça. Exames laboratoriais da admissão: pH 7,4, PO2 85, PCO2 24, lactato 16 (normal), creatina 2,6mg/dL, Uréia 89mg/dl, bilirrubinas 1,5mg/dl (direta 1,0mg/dl), hemoglobina 11,9, leucograma 32mil, 19% de bastões, plaquetas 119mil, sumário de urina com bactérias, leucócitos e nitrito positivo. A paciente do caso clínico evoluiu após algumas horas de internamento com pulso fino, extremidades pegajosas e quentes, hipotensão sustentada com PA 80x60mmHg, FC 136bpm, tempo de enchimento capilar de 5 segundos, sonolência, taquipneia 32ipm. Sobre o caso clínico, marque a alternativa incorreta:

Alternativas

  1. A) O diagnóstico de choque séptico será realizado, por definição, após hipotensão não responsiva à volêmica, necessitando de drogas vasoativas.
  2. B) A elevação do lactato sérico é utilizada nos critérios para o diagnóstico de choque séptico, pelas definições atuais, mas pelo quadro clínico da paciente, com os dados apresentados, já é possível inferir o diagnóstico clínico de choque.
  3. C) Em qualquer tipo de choque ocorre desequilíbrio entre oferta e consumo de oxigênio (DO2 e VO2), e consequentemente hipóxia tecídual, sendo necessárias ações terapêuticas para otimizar o débito cardíaco.
  4. D) A noradrenalina e a expansão volêmica visam melhorar o tônus vascular e elevar o volume estressado, visando aumento da pré-carga.

Pérola Clínica

Choque Séptico = Vasopressor (PAM ≥ 65) + Lactato > 2 mmol/L após ressuscitação volêmica.

Resumo-Chave

O diagnóstico de choque séptico exige a presença de hiperlactatemia (>2 mmol/L) e necessidade de vasopressores para manter PAM ≥ 65 mmHg, mesmo após expansão volêmica adequada.

Contexto Educacional

O entendimento da fisiopatologia do choque séptico evoluiu de uma visão puramente hemodinâmica para uma compreensão de disfunção metabólica celular profunda. O Sepsis-3 refinou as definições para focar em pacientes com maior risco de morte. A transição da sepse para o choque séptico marca um ponto crítico onde a oferta de oxigênio (DO2) não supre a demanda metabólica, levando ao metabolismo anaeróbio e acúmulo de lactato. O manejo inicial foca no 'bundle' de 1 hora, que inclui coleta de lactato, hemoculturas, antibióticos de amplo espectro e ressuscitação volêmica com cristaloides (30ml/kg) se houver hipotensão ou lactato ≥ 4.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios diagnósticos do Sepsis-3 para choque séptico?

De acordo com o consenso Sepsis-3, o choque séptico é identificado clinicamente pela necessidade de terapia com vasopressores para manter uma pressão arterial média (PAM) de 65 mmHg ou superior E um nível de lactato sérico superior a 2 mmol/L (18 mg/dL) na ausência de hipovolemia. Essa definição enfatiza que o choque séptico envolve anormalidades circulatórias e metabólicas celulares que conferem um risco de mortalidade substancialmente maior do que a sepse isolada.

Por que a alternativa A está incorreta nesta questão?

A alternativa A está incorreta porque sugere que o diagnóstico de choque séptico é feito apenas pela hipotensão não responsiva a volume. Na verdade, a definição atual exige obrigatoriamente a combinação da necessidade de vasopressor E o lactato elevado (> 2 mmol/L). Se o paciente tem hipotensão que requer vasopressor mas o lactato é normal, ele não preenche estritamente os critérios de choque séptico do Sepsis-3, embora ainda exija cuidados intensivos.

Qual o papel da noradrenalina no choque séptico?

A noradrenalina é o vasopressor de primeira escolha no choque séptico. Ela atua predominantemente em receptores alfa-1 adrenérgicos, promovendo vasoconstrição periférica e aumentando a resistência vascular sistêmica para elevar a PAM. Também possui efeito beta-1 discreto, auxiliando no débito cardíaco. O objetivo é garantir uma pressão de perfusão tecidual mínima (PAM ≥ 65 mmHg) enquanto se trata a causa base da infecção.

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