Choque Séptico: Fisiopatologia e Resistência Vascular

HNMD - Hospital Naval Marcílio Dias (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Com relação ao Choque Séptico, podemos afirmar que:

Alternativas

  1. A) uma característica é a redução da resistência vascular periférica que ocorre a despeito dos níveis elevados de catecolaminas vasopressoras.
  2. B) durante o período ""hipodinâmico"", a concentração sanguínea de lactato encontra-se baixa e a saturação venosa central de oxigênio se mostra alta.
  3. C) não há necessidade de dosar lactato sérico.
  4. D) a síndrome de angústia respiratória (SARA) não é uma complicação.
  5. E) a depressão da função miocárdica, evidenciada pelo aumento dos volumes ventriculares diastólicos e sistólicos finais, bem como pela redução da fração de ejeção, surge em até uma semana na maioria dos pacientes.

Pérola Clínica

Choque Séptico: ↓ RVP apesar de ↑ catecolaminas devido à vasodilatação refratária.

Resumo-Chave

No choque séptico, a vasodilatação periférica é uma característica marcante, levando à redução da resistência vascular sistêmica (RVS), mesmo com níveis elevados de catecolaminas endógenas ou exógenas. Essa vasodilatação é refratária e contribui para a hipotensão e má perfusão tecidual.

Contexto Educacional

O choque séptico representa uma condição de alto risco, caracterizada por disfunção orgânica ameaçadora à vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção. Para residentes e estudantes de medicina, compreender sua fisiopatologia é crucial. Uma das características mais marcantes é a vasodilatação arterial e venosa generalizada, que leva a uma redução acentuada da resistência vascular periférica (RVP). Este fenômeno ocorre apesar da ativação do sistema nervoso simpático e da elevação dos níveis de catecolaminas endógenas, que normalmente causariam vasoconstrição. A fisiopatologia da vasodilatação no choque séptico envolve a liberação excessiva de mediadores inflamatórios, como óxido nítrico, citocinas e prostanoides, que atuam diretamente sobre a musculatura lisa vascular, promovendo relaxamento. Além disso, há uma disfunção na resposta dos receptores adrenérgicos aos vasopressores, tornando a vasculatura refratária à vasoconstrição. Isso resulta em má distribuição do fluxo sanguíneo e perfusão inadequada dos tecidos, mesmo que o débito cardíaco possa estar normal ou elevado em fases iniciais. O manejo do choque séptico exige reconhecimento precoce, ressuscitação volêmica agressiva, antibioticoterapia de amplo espectro e, frequentemente, o uso de vasopressores para manter a pressão arterial média. A monitorização de parâmetros como lactato sérico e saturação venosa central de oxigênio é fundamental para guiar a terapia. Complicações como a Síndrome da Angústia Respiratória Aguda (SARA) e a depressão miocárdica são comuns e contribuem significativamente para a morbimortalidade, exigindo intervenções específicas e suporte intensivo.

Perguntas Frequentes

Qual a principal característica hemodinâmica do choque séptico?

A principal característica hemodinâmica do choque séptico é a vasodilatação periférica generalizada, que resulta em uma redução significativa da resistência vascular sistêmica (RVS), levando à hipotensão e má perfusão tecidual, mesmo com débito cardíaco normal ou aumentado.

Por que a resistência vascular periférica está reduzida no choque séptico, apesar dos níveis elevados de catecolaminas?

A redução da RVP ocorre devido à disfunção endotelial e à liberação de mediadores inflamatórios que causam vasodilatação refratária. Embora as catecolaminas tentem compensar, a resposta vascular aos vasopressores é atenuada, resultando em uma RVP persistentemente baixa.

Quais são as complicações comuns associadas ao choque séptico?

O choque séptico pode levar a múltiplas disfunções orgânicas, incluindo Síndrome da Angústia Respiratória Aguda (SARA), lesão renal aguda, coagulopatia, depressão miocárdica e disfunção hepática, todas contribuindo para a alta morbimortalidade.

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