Urosepse e Choque Séptico: Conduta Imediata

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2023

Enunciado

Homem, 54 anos de idade, hipertenso, é trazido ao PS com quadro de febre e rebaixamento de nível de consciência. Apresenta dor em flanco direito, disúria e polaciúria há três dias. Exame físico: FC = 120 bpm; PA = 80/40 mmHg; T = 38 ºC; tempo de enchimento capilar = 5 segundos. Exames laboratoriais: hemograma com leucócitos = 19.000 cél/mm³ (desvio à esquerda), creatinina = 2,7mg/dL e lactato arterial = 36mg/dL; urina 1 com leucocitúria, hematúria e presença de nitrito. Considerando a hipótese diagnóstica mais provável e as orientações da Campanha de Sobrevivência a Sepse de 2021, qual é a conduta imediata mais adequada?

Alternativas

  1. A) Iniciar ceftriaxona e manter por pelo menos 10 dias
  2. B) Coletar hemoculturas e urocultura assim que houver estabilidade hemodinâmica.
  3. C) Fazer expansão volêmica com cristaloides para atingir 30mL/Kg nas primeiras 3 horas.
  4. D) Administrar noradrenalina em dose inicial 0,1 mcg/kg/min. 

Pérola Clínica

Homem 54a, febre, hipotensão, dor flanco, disúria, leucocitúria, lactato ↑ → Choque Séptico por urosepse. Conduta imediata: expansão volêmica 30mL/Kg cristaloides.

Resumo-Chave

O paciente apresenta um quadro de infecção do trato urinário (disúria, polaciúria, dor em flanco, leucocitúria, nitrito positivo) evoluindo para sepse grave e choque séptico (febre, hipotensão, taquicardia, tempo de enchimento capilar prolongado, leucocitose com desvio à esquerda, lactato elevado, creatinina elevada). A conduta imediata, conforme as diretrizes da Campanha Sobrevivendo à Sepse, é a expansão volêmica com cristaloides.

Contexto Educacional

O choque séptico é uma condição de risco de vida que resulta de uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção, levando a disfunção orgânica. A urosepse, ou sepse de origem urinária, é uma causa comum, frequentemente decorrente de pielonefrite aguda. O diagnóstico é baseado em sinais de infecção (febre, leucocitose, sintomas urinários) e disfunção orgânica (hipotensão, taquicardia, lactato elevado, disfunção renal, alteração do nível de consciência). As diretrizes da Campanha Sobrevivendo à Sepse (2021) enfatizam a importância de um 'bundle' de tratamento a ser iniciado nas primeiras horas. A conduta imediata e prioritária para pacientes com choque séptico e hipotensão é a expansão volêmica com cristaloides, na dose de 30 mL/kg, a ser administrada nas primeiras 3 horas. Esta medida visa restaurar a perfusão tecidual e corrigir a hipotensão. Simultaneamente, devem ser coletadas culturas (hemoculturas e urocultura) antes da administração de antibióticos de amplo espectro. A noradrenalina é o vasopressor de primeira linha e deve ser iniciada se a hipotensão persistir após a reposição volêmica adequada. O tratamento precoce e agressivo é fundamental para melhorar o prognóstico e reduzir a mortalidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de choque séptico em um paciente com infecção urinária?

Sinais incluem febre, hipotensão, taquicardia, alteração do nível de consciência, tempo de enchimento capilar prolongado, lactato elevado e leucocitose com desvio à esquerda, indicando uma resposta sistêmica grave.

Qual a dose recomendada de cristaloides para expansão volêmica inicial no choque séptico?

As diretrizes recomendam uma dose inicial de 30 mL/kg de cristaloides intravenosos, administrada nas primeiras 3 horas, para pacientes com hipotensão ou lactato sérico elevado, visando restaurar a perfusão.

Quando se deve iniciar a noradrenalina no manejo do choque séptico?

A noradrenalina deve ser iniciada se a hipotensão persistir após a administração adequada de fluidos intravenosos, com o objetivo de manter uma pressão arterial média (PAM) ≥ 65 mmHg e garantir a perfusão orgânica.

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