Choque Séptico na Pneumonia: Manejo Inicial e Condutas Essenciais

UFSC/HU - Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago (SC) — Prova 2022

Enunciado

Um paciente masculino, 48 anos, é diagnosticado na emergência com pneumonia comunitária. No momento da admissão os sinais vitais evidenciam pressão arterial de 75/30 mmHg, frequência cardíaca de 140 bpm, frequência respiratória de 28 irpm, saturação de oxigênio de 95% em ar ambiente e temperatura axilar de 38,4°C.Assinale a alternativa correta sobre o caso em questão.

Alternativas

  1. A) Caso a PVC esteja abaixo de 5 mmHg, devemos iniciar vasopressor tão somente após completar a infusão de 30 ml/kg de soro fisiológico.
  2. B) No caso de iniciar vasopressor, de acordo com as evidências, podemos optar tanto por vasopressina como noradrenalina.
  3. C) O clearence do lactato não deve ser usado para guiar a terapêutica, mas como marcador de prognóstico.
  4. D) A conduta inicial deve incluir dosagem do lactato sérico, coleta de culturas, além da infusão rápida de 30 ml/kg de soro fisiológico.
  5. E) Se após expansão volêmica adequada e recuperação da pressão arterial o paciente ainda apresenta sinais de hipoperfusão tecidual, podemos iniciar dopamina para otimizar o débito cardíaco.

Pérola Clínica

Choque séptico: hipotensão + infecção → Coletar culturas, dosar lactato, iniciar ATB e SF 30ml/kg rápido.

Resumo-Chave

Paciente com pneumonia comunitária e hipotensão (choque séptico) requer manejo inicial agressivo. Isso inclui coleta de culturas antes dos antibióticos, dosagem de lactato sérico como marcador de hipoperfusão e prognóstico, e infusão rápida de 30 ml/kg de soro fisiológico para restaurar a perfusão.

Contexto Educacional

O choque séptico é uma condição de risco de vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção, resultando em disfunção orgânica e hipotensão persistente que requer vasopressores. A pneumonia comunitária é uma causa comum de sepse e choque séptico. A mortalidade é alta, e o reconhecimento e tratamento rápidos são cruciais para melhorar os desfechos dos pacientes. A fisiopatologia do choque séptico envolve vasodilatação sistêmica, disfunção miocárdica e aumento da permeabilidade capilar, levando à hipoperfusão tecidual e disfunção orgânica. O paciente da questão apresenta hipotensão (PA 75/30 mmHg), taquicardia (140 bpm) e taquipneia (28 irpm) com infecção (pneumonia), configurando um quadro de choque séptico grave. A conduta inicial no choque séptico segue as diretrizes da Surviving Sepsis Campaign. O 'bundle' de 1 hora inclui: 1) dosar lactato sérico; 2) coletar culturas (sangue, urina, escarro) antes dos antibióticos; 3) iniciar antibióticos de amplo espectro; 4) iniciar infusão rápida de 30 ml/kg de cristaloides para hipotensão ou lactato > 2 mmol/L; 5) iniciar vasopressores se a hipotensão persistir após fluidos. A alternativa D está correta ao incluir dosagem de lactato, culturas e infusão rápida de soro fisiológico, que são etapas essenciais e prioritárias no manejo inicial.

Perguntas Frequentes

Quais são os pilares do manejo inicial do choque séptico?

Os pilares incluem reconhecimento precoce, coleta de culturas (sangue, urina, escarro) antes dos antibióticos, início rápido de antibioticoterapia de amplo espectro, expansão volêmica agressiva com cristaloides (30 ml/kg) e, se necessário, vasopressores.

Qual a importância do lactato sérico no choque séptico?

O lactato sérico é um marcador de hipoperfusão tecidual e anaerobiose. Níveis elevados indicam gravidade e são usados para guiar a ressuscitação, com o objetivo de reduzir o lactato (clearance) como meta terapêutica, além de ser um marcador prognóstico.

Quando iniciar vasopressores no choque séptico?

Vasopressores devem ser iniciados se a hipotensão persistir após a expansão volêmica inicial adequada (30 ml/kg de cristaloides). A noradrenalina é o vasopressor de primeira escolha para manter a pressão arterial média.

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