Choque Séptico em Idosos: Manejo Inicial e Prioridades

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023

Enunciado

Um homem com 78 anos, acamado há meses em função de quadro demencial avançado, chega à unidade de emergência com quadro de rebaixamento do nível de consciência, febre e hipotensão arterial. Segundo familiares, o paciente vem apresentando tosse desde a ocorrência, há 3 dias, de episódio compatível com broncoaspiração durante tentativa de alimentação por via oral. Relatam que, nos últimos 2 dias, ele passou a se mostrar mais apático, não interagindo minimamente com os familiares, nem aceitando alimentação e que, no dia de hoje, surgiu febre e a acompanhante aferiu pressão arterial de 90 × 60 mmHg, uma queda de cerca de 40 mmHg na pressão sistólica em relação ao parâmetro habitual do paciente. Ao exame físico, é confirmada hipotensão arterial sistêmica (88 × 48 mmHg), além de sonolência (escore de coma de Glasgow de 9 pontos), desidratação (+2/+4), descoramento de mucosas (+1/+4), taquicardia (120 batimentos por minuto), taquipneia (26 incursões respiratórias por minuto) e presença de roncos difusos, com estertores crepitantes na base direita. Exames laboratoriais iniciais revelam anemia (hemoglobina de 8,5 g/dL - valor de referência [VR]: 13- 17 g/dL), elevação de creatinina (2,3 mg/dL - VR: 0,8- 1,2 mg/dL), ureia (102 mg/dL - VR: 20-40 mg/dL) e lactato (5,1 mmol/L - VR: <= 2,0 mmol/L), além de acidose metabólica e hipoxemia. São colhidas hemoculturas. O paciente é monitorizado adequadamente, submetido a oferta suplementar de oxigênio, e inicia-se o tratamento indicado para o quadro clínico que apresenta.Além da antibioticoterapia de amplo espectro adequada, a conduta prioritária a ser adotada para esse paciente ainda nas primeiras horas de abordagem é

Alternativas

  1. A) iniciar terapia de substituição renal com hemodiálise.
  2. B) administrar cristaloides intravenosos para resgate volêmico.
  3. C) proceder a hemotransfusão com 2 concentrados de hemácias.
  4. D) administrar glicocorticoide devido à possibilidade de insuficiência adrenal.

Pérola Clínica

Idoso acamado, broncoaspiração, febre, hipotensão, rebaixamento consciência, lactato ↑ → Choque Séptico por pneumonia aspirativa. Conduta prioritária: cristaloides IV.

Resumo-Chave

O paciente apresenta um quadro clínico clássico de choque séptico, provavelmente de foco pulmonar (pneumonia aspirativa), com hipotensão, rebaixamento do nível de consciência, taquicardia, taquipneia, e sinais de hipoperfusão (lactato elevado, acidose metabólica). A conduta prioritária nas primeiras horas é a ressuscitação volêmica com cristaloides intravenosos para combater a hipotensão e melhorar a perfusão tecidual.

Contexto Educacional

O choque séptico é uma emergência médica com alta mortalidade, especialmente em idosos e pacientes com comorbidades como demência e acamamento. A pneumonia aspirativa é uma causa comum de sepse nesse grupo, devido à disfagia e risco de aspiração. O quadro clínico é caracterizado por sinais de infecção sistêmica e disfunção orgânica, incluindo hipotensão, taquicardia, taquipneia, alteração do nível de consciência e sinais de hipoperfusão como lactato elevado. O manejo inicial do choque séptico deve seguir as diretrizes da Campanha Sobrevivendo à Sepse, com foco nas 'horas de ouro'. A conduta prioritária é a ressuscitação volêmica agressiva com cristaloides intravenosos (30 mL/kg nas primeiras 3 horas) para combater a hipotensão e melhorar a perfusão tecidual. Simultaneamente, devem ser coletadas culturas (hemoculturas, urocultura, cultura de escarro) e iniciada antibioticoterapia de amplo espectro. Outras medidas incluem suporte ventilatório (oxigenoterapia), monitorização hemodinâmica e, se a hipotensão persistir após a reposição volêmica, o uso de vasopressores (noradrenalina). A correção da anemia e da lesão renal aguda são importantes, mas secundárias à estabilização hemodinâmica inicial.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de hipoperfusão tecidual no choque séptico?

Sinais de hipoperfusão incluem hipotensão, lactato sérico elevado, acidose metabólica, oligúria, tempo de enchimento capilar prolongado e alteração do nível de consciência, indicando metabolismo anaeróbico.

Por que a ressuscitação volêmica é a conduta prioritária no choque séptico?

A ressuscitação volêmica com cristaloides é prioritária para corrigir a hipotensão e a hipovolemia relativa causada pela vasodilatação e extravasamento capilar na sepse, restaurando a perfusão dos órgãos vitais.

Qual a importância do lactato sérico no manejo do choque séptico?

O lactato sérico é um marcador crucial de hipoperfusão e metabolismo anaeróbico. Níveis elevados indicam gravidade e sua monitorização é essencial para guiar a ressuscitação e avaliar a resposta ao tratamento.

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