UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2023
O SAMU acaba de trazer um paciente vítima de atropelamento por caminhão. Paciente tem 21 anos e apresenta quadro de hipotensão, bradiarritmia e desregulação da temperatura. Diante desse quadro foi considerada a hipótese de choque neurogênico. A propósito do diagnóstico estabelecido, assinale a opção correta:
Choque neurogênico → perda tônus simpático + parassimpático preservado = hipotensão, bradicardia, hipotermia.
O choque neurogênico é uma forma de choque distributivo causada por lesão da medula espinhal, geralmente acima de T6. A interrupção das vias simpáticas descendentes leva à vasodilatação periférica e bradicardia devido à predominância do tônus parassimpático, resultando em hipotensão e desregulação térmica.
O choque neurogênico é uma complicação grave de lesões da medula espinhal, particularmente aquelas que afetam os segmentos torácicos altos (acima de T6). Sua compreensão é crucial para o manejo inicial de pacientes traumatizados, pois o reconhecimento precoce e a intervenção adequada podem impactar significativamente o prognóstico. É uma forma de choque distributivo que se distingue por uma tríade clássica de hipotensão, bradicardia e hipotermia. A fisiopatologia central reside na interrupção das vias simpáticas descendentes da medula espinhal, resultando na perda do tônus vasomotor e cardíaco simpático. Com a função parassimpática (nervos vagos) permanecendo intacta, há uma predominância do sistema parassimpático, levando à vasodilatação periférica e bradicardia. Isso causa acúmulo de sangue na periferia, diminuição do retorno venoso e, consequentemente, hipotensão. A perda do controle vasomotor também impede a vasoconstrição compensatória. O tratamento visa restaurar a perfusão e a oxigenação tecidual. Inclui a administração cautelosa de fluidos para otimizar a pré-carga, vasopressores (como norepinefrina) para restaurar o tônus vascular e atropina ou marca-passo para bradicardia refratária. O controle da temperatura é essencial. É fundamental diferenciar o choque neurogênico de outras formas de choque, como o hipovolêmico, para evitar o excesso de fluidos e garantir o tratamento direcionado.
Os sinais clássicos incluem hipotensão (devido à vasodilatação), bradicardia (devido à perda do tônus simpático e predominância parassimpática) e desregulação da temperatura (hipotermia).
A principal causa é a lesão da medula espinhal, geralmente acima de T6, que interrompe as vias simpáticas descendentes, levando à perda do tônus vasomotor e cardíaco.
Diferencia-se principalmente pela bradicardia e pele quente/seca no choque neurogênico, enquanto o choque hipovolêmico cursa com taquicardia e pele fria/úmida, apesar de ambos apresentarem hipotensão.
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