IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025
Homem, de 21 anos de idade, é levado ao hospital terciário (centro referenciado de trauma) pelos bombeiros, após mergulho em água rasa. Ao exame físico, encontra-se com colar cervical e prancha rígida, com vias aéreas pérvias, com saturação periférica de oxigênio de 96% em ar ambiente, eupneico, sem alterações ventilatórias. Ausculta cardíaca normal, com frequência cardíaca de 51bpm, pressão arterial de 68x44mmHg e tempo de enchimento capilar de 2 segundos. O abdome está flácido e indolor, com pelve estável e FAST negativo. O toque retal apresenta esfíncter hipotônico. Escala de coma de Glasgow 15, pupilas isocóricas e fotorreagentes e tetraplegia. Recebeu 1000mL de cristaloide, com manutenção dos parâmetros hemodinâmicos. Quais são as condutas em relação à prancha rígida e ao colar cervical?
Choque neurogênico (bradicardia, hipotensão, tetraplegia) → Retirar prancha rígida, manter colar cervical.
O paciente apresenta sinais clássicos de choque neurogênico (bradicardia, hipotensão, tetraplegia, esfíncter hipotônico) após trauma raquimedular. A prancha rígida, embora essencial no transporte inicial, deve ser removida o mais rápido possível para prevenir lesões por pressão. No entanto, a imobilização cervical com colar deve ser mantida até que a lesão da coluna cervical seja definitivamente excluída por exames de imagem.
O trauma raquimedular (TRM) é uma lesão devastadora que pode resultar em déficits neurológicos permanentes e condições de risco à vida, como o choque neurogênico. A avaliação e o manejo iniciais, conforme os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), são cruciais para minimizar danos secundários e otimizar o prognóstico. A imobilização da coluna vertebral, com colar cervical e prancha rígida, é uma medida inicial padrão no atendimento pré-hospitalar e na chegada ao hospital. O choque neurogênico é uma forma de choque distributivo que ocorre devido à perda do tônus simpático após uma lesão medular acima de T6. Caracteriza-se por hipotensão, bradicardia e vasodilatação periférica, que não respondem adequadamente à reposição volêmica. A tetraplegia e o esfíncter hipotônico no toque retal são achados neurológicos que reforçam o diagnóstico de TRM cervical e choque neurogênico. O manejo envolve suporte hemodinâmico, com fluidos e, se necessário, vasopressores para manter a perfusão dos órgãos. Em relação à imobilização, a prancha rígida é essencial para o transporte, mas deve ser removida assim que possível no ambiente hospitalar para prevenir lesões por pressão, que podem surgir em poucas horas. No entanto, o colar cervical deve ser mantido rigorosamente até que a coluna cervical seja completamente avaliada e uma lesão seja excluída por exames de imagem. A conduta correta equilibra a proteção da coluna com a prevenção de complicações secundárias da imobilização prolongada, sendo um ponto crítico na formação de residentes em emergência e trauma.
O choque neurogênico é caracterizado pela tríade de hipotensão, bradicardia e vasodilatação periférica (pele quente e seca), resultante da perda do tônus simpático devido a uma lesão medular acima de T6. A ausência de melhora hemodinâmica após fluidos é um indicativo.
A prancha rígida é crucial para a imobilização inicial e transporte seguro, mas seu uso prolongado (geralmente >2 horas) está associado a um risco aumentado de lesões por pressão, dor e desconforto. Uma vez que o paciente esteja estabilizado e avaliado, a prancha deve ser substituída por uma superfície mais confortável e segura.
O colar cervical deve ser mantido até que uma lesão da coluna cervical seja definitivamente excluída. Isso geralmente requer exames de imagem, como radiografias da coluna cervical e, frequentemente, tomografia computadorizada, especialmente em pacientes com déficits neurológicos ou mecanismos de trauma de alta energia.
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