FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2022
Paciente 25 anos vítima de acidente motociclístico em alta velocidade, é trazido pelos bombeiros ao centro de trauma. Ao exame paciente sonolento, não obedecendo a comandos verbais, ausência de reflexo de retirada ao estímulo álgico nos 4 membros, extremidades quentes, tempo de enchimento capilar de 2 segundos, escoriações em tórax, MV reduzido em terço inferior de hemitórax D com crepitação costal, frequência cardíaca: 45bpm, pressão arterial: 70/40 mmHg, frequência respiratória: 12irpm. Ao que deve ser atribuído o quadro hemodinâmico do paciente?
Trauma + Hipotensão + Bradicardia + Extremidades quentes = Choque Neurogênico.
O choque neurogênico é uma forma de choque distributivo causada por lesão da medula espinhal, geralmente acima de T6, que resulta em perda do tônus simpático. Isso leva à vasodilatação periférica (extremidades quentes) e bradicardia, diferenciando-o de outros tipos de choque que cursam com taquicardia.
O choque neurogênico é uma condição grave que ocorre após lesão medular espinhal, geralmente acima da vértebra torácica T6, resultando na interrupção das vias simpáticas. Sua prevalência é significativa em traumas de alta energia, como acidentes automobilísticos e quedas, e o reconhecimento precoce é crucial para evitar morbidade e mortalidade. É fundamental para residentes e estudantes de medicina compreenderem a fisiopatologia e o quadro clínico para um manejo adequado no ambiente de emergência. A fisiopatologia envolve a perda do tônus simpático, levando à vasodilatação generalizada e bradicardia devido à predominância do tônus parassimpático. Isso resulta em hipotensão e perfusão tecidual inadequada, apesar das extremidades quentes. O diagnóstico é clínico, baseado na tríade de hipotensão, bradicardia e extremidades quentes em um paciente com trauma raquimedular. É essencial descartar outras causas de choque, como o hipovolêmico, que apresenta taquicardia e extremidades frias. O tratamento inicial foca na estabilização hemodinâmica. Isso inclui a reposição volêmica cuidadosa para otimizar a pré-carga, seguida pelo uso de vasopressores, como a noradrenalina, para manter a pressão arterial média e a perfusão dos órgãos. A bradicardia pode ser tratada com atropina. O manejo da via aérea e a imobilização da coluna cervical são prioridades. O prognóstico depende da extensão da lesão medular e da rapidez e eficácia do tratamento do choque.
Os sinais clássicos do choque neurogênico incluem hipotensão, bradicardia e extremidades quentes. Estes são resultantes da perda do tônus simpático e da vasodilatação periférica, que levam à diminuição da resistência vascular sistêmica.
A principal diferença está na frequência cardíaca e na temperatura das extremidades. No choque neurogênico, há bradicardia e extremidades quentes. No choque hipovolêmico, a resposta compensatória é taquicardia e extremidades frias e pálidas.
A conduta inicial envolve estabilização da via aérea e ventilação, controle da coluna cervical, reposição volêmica cautelosa para manter a perfusão e uso de vasopressores (como noradrenalina) para manter a pressão arterial e a perfusão medular, além de atropina para bradicardia severa.
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