Choque Neurogênico: Diagnóstico e Manejo no Politraumatizado

Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2023

Enunciado

Sobre a vítima politraumatizada, assinale a incorreta.

Alternativas

  1. A) Lesões intracranianas isoladas não causam choque hemorrágico. A presença de choque num doente com trauma de crânio indica a necessidade de pesquisar outra causa de choque.
  2. B) Os doentes portadores de trauma medular raramente tem trauma concomitante no tronco; por isso, doentes com diagnóstico ou suspeita de choque neurogênico devem ser tratados inicialmente com vasopressores e corticoides venosos. A ressuscitação volêmica nestes casos piora o edema e o prognóstico das lesões.
  3. C) O quadro clássico do choque neurogênico é hipotensão sem taquicardia e sem vasoconstrição cutânea. Pulso fino não é com no choque neurogênico.
  4. D) A perda do tônus simpático acentua o efeito fisiopatológico da hipovolemia e a hipovolemia acentua o efeito fisiopatológico da denervação simpática.

Pérola Clínica

Choque neurogênico: hipotensão + bradicardia + pele quente/seca. Ressuscitação volêmica é inicial, vasopressores se refratário.

Resumo-Chave

A alternativa incorreta afirma que pacientes com trauma medular raramente têm trauma concomitante no tronco e que a ressuscitação volêmica piora o prognóstico no choque neurogênico. Na verdade, trauma medular frequentemente coexiste com outras lesões, e a ressuscitação volêmica é a medida inicial para manter a perfusão, antes dos vasopressores.

Contexto Educacional

O manejo do paciente politraumatizado exige uma avaliação rápida e sistemática, seguindo protocolos como o ATLS (Advanced Trauma Life Support). O choque é uma das principais causas de mortalidade no trauma, e sua identificação e tratamento precoces são cruciais. Embora o choque hipovolêmico (hemorrágico) seja a causa mais comum de choque em vítimas de trauma, outras formas, como o choque neurogênico, devem ser consideradas, especialmente em casos de trauma raquimedular. O choque neurogênico resulta da perda do tônus simpático devido a uma lesão na medula espinhal (geralmente acima de T6), levando à vasodilatação periférica e bradicardia. Clinicamente, manifesta-se por hipotensão sem taquicardia e pele quente e seca. É fundamental diferenciá-lo do choque hipovolêmico, que cursa com taquicardia e vasoconstrição. A fisiopatologia envolve a interrupção das vias simpáticas descendentes, resultando em desequilíbrio autonômico. O tratamento do choque neurogênico inicia-se com a reposição volêmica cuidadosa para otimizar a pré-carga. Se a hipotensão persistir, vasopressores são indicados para restaurar o tônus vascular e a pressão arterial. É importante ressaltar que a presença de trauma medular não exclui outras lesões, e a busca por fontes de sangramento deve ser contínua. O uso de corticoides em trauma medular é controverso e não é recomendado rotineiramente para o tratamento do choque neurogênico.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar choque neurogênico de choque hipovolêmico em um politraumatizado?

No choque neurogênico, a hipotensão é acompanhada por bradicardia e pele quente e seca devido à perda do tônus simpático. No choque hipovolêmico, a hipotensão é geralmente acompanhada por taquicardia e pele fria e pegajosa, como resposta compensatória à perda volêmica.

Qual a conduta inicial para um paciente com suspeita de choque neurogênico?

A conduta inicial envolve a ressuscitação volêmica com cristaloides para otimizar a pré-carga e a perfusão. Se a hipotensão persistir após a reposição volêmica adequada, vasopressores (como noradrenalina) podem ser utilizados para manter a pressão arterial média.

Lesões intracranianas isoladas podem causar choque hemorrágico?

Não, lesões intracranianas isoladas, mesmo graves, raramente causam choque hemorrágico em adultos, pois o volume intracraniano é limitado. A presença de choque em um paciente com trauma de crânio indica a necessidade de investigar outras fontes de sangramento, como tórax, abdome, pelve ou ossos longos.

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