Choque Neurogênico: Diagnóstico e Fisiopatologia no Trauma

Santa Casa de São Carlos (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente masculino, 34 anos de idade, foi vítima de colisão motociclística. Dá entrada com a pele fria e pálida, pressão arterial de 72 x 41 mmHg, frequência cardíaca de 65 bpm, frequência respiratória de 18 irpm, sem fontes de sangramento visíveis. Não apresenta movimentos nos membros superiores e inferiores e apresenta toque retal com esfíncter hipotônico. Sobre o caso, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Trata-se de um provável choque medular e o manejo inicial deve ser feito com transfusão de hemocomponentes.
  2. B) No caso de reflexo bulbo cavernoso presente, caracteriza-se um choque medular.
  3. C) Trata-se de um provável choque neurogênico, que resulta em perda do tônus vasomotor ℮ inervação simpática do coração.
  4. D) A maior parte dos traumas raquimedulares ocorrem na região torácica, como é provavelmente o caso.

Pérola Clínica

Trauma raquimedular + hipotensão + bradicardia + pele quente/seca + esfíncter hipotônico = Choque neurogênico.

Resumo-Chave

O choque neurogênico, resultante de lesão medular acima de T6, causa perda do tônus vasomotor e da inervação simpática do coração, levando a hipotensão e bradicardia. A pele pode estar quente e seca, e a presença de esfíncter anal hipotônico indica lesão medular.

Contexto Educacional

O choque neurogênico é uma forma de choque distributivo que ocorre após lesões da medula espinhal, geralmente acima do nível de T6. É uma condição grave que resulta da perda do tônus simpático, levando a uma vasodilatação sistêmica e bradicardia. O reconhecimento precoce é vital para o manejo adequado em pacientes traumatizados. A fisiopatologia do choque neurogênico envolve a interrupção das vias simpáticas descendentes, que controlam o tônus vascular e a frequência cardíaca. Isso resulta em vasodilatação arterial e venosa, causando acúmulo de sangue na periferia e diminuição do retorno venoso ao coração, levando à hipotensão. A perda da inervação simpática cardíaca também provoca bradicardia. Clinicamente, o paciente apresenta hipotensão, bradicardia e, diferentemente de outros choques, pele quente e seca devido à vasodilatação periférica. A presença de déficits neurológicos e esfíncter anal hipotônico são achados chave. O manejo inicial do choque neurogênico foca na estabilização hemodinâmica. Isso inclui a reposição volêmica cautelosa para preencher o leito vascular dilatado, seguida pelo uso de vasopressores (como noradrenalina) para restaurar o tônus vascular. A bradicardia pode ser tratada com atropina ou, em casos refratários, com marca-passo. A imobilização da coluna vertebral é crucial para prevenir lesões adicionais.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos clássicos do choque neurogênico?

Os sinais clássicos incluem hipotensão (devido à vasodilatação), bradicardia (devido à perda do tônus simpático cardíaco), pele quente e seca (vasodilatação periférica) e, em casos de lesão medular, déficits neurológicos e esfíncter anal hipotônico.

Qual a fisiopatologia do choque neurogênico?

O choque neurogênico ocorre devido à interrupção da inervação simpática do sistema cardiovascular, geralmente por lesão medular acima de T6. Isso resulta em perda do tônus vasomotor (vasodilatação periférica) e da inervação simpática do coração, levando a hipotensão e bradicardia.

Como diferenciar choque neurogênico de choque hipovolêmico em um paciente traumatizado?

Ambos causam hipotensão. No entanto, o choque hipovolêmico cursa com taquicardia e pele fria/úmida (resposta simpática compensatória), enquanto o choque neurogênico apresenta bradicardia e pele quente/seca (perda da resposta simpática). A presença de déficits neurológicos também aponta para o choque neurogênico.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo