Choque Neurogênico e Medular: Diagnóstico no Trauma

IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2024

Enunciado

Homem de 37 anos foi vítima de acidente automobilístico. Exame físico: desacordado, pele fria e pálida. PA 85/40mmHg, FC 70bpm, FR 12 irpm, sem fontes de sangramento externo. É correto afirmar que

Alternativas

  1. A) a causa do choque é decorrente de lesão parassimpática.
  2. B) a suspeita é de choque neurogênico, por isso a hipotensão permissiva deve ser considerada.
  3. C) a succinilcolina é a droga de escolha nesse caso, se houver necessidade de intubação.
  4. D) a ausência de reflexo bulbo cavernoso indicaria choque medular.

Pérola Clínica

Choque neurogênico = hipotensão + bradicardia (sem sangramento externo) após trauma medular.

Resumo-Chave

O choque neurogênico, causado por lesão medular acima de T6, resulta em perda do tônus simpático, levando a hipotensão e bradicardia. A ausência do reflexo bulbo cavernoso é um sinal de choque medular, indicando lesão grave da medula espinhal.

Contexto Educacional

O choque no paciente traumatizado é uma condição grave que exige diagnóstico e manejo rápidos. Embora o choque hipovolêmico seja a causa mais comum de choque no trauma, outras formas, como o choque neurogênico, devem ser consideradas, especialmente em casos de trauma raquimedular. O choque neurogênico resulta da perda do tônus simpático devido a uma lesão medular acima de T6, levando a vasodilatação e bradicardia, o que o diferencia do choque hipovolêmico, que tipicamente cursa com taquicardia. A avaliação neurológica é fundamental no trauma. O choque medular é uma condição transitória de perda de função neurológica abaixo do nível da lesão medular, que pode durar horas a semanas. A ausência do reflexo bulbo cavernoso, um reflexo sacral, é um indicativo de choque medular e sugere uma lesão medular grave. É importante não confundir choque medular com choque neurogênico; o primeiro é uma disfunção neurológica, o segundo é uma disfunção hemodinâmica. O manejo do choque no trauma envolve a estabilização hemodinâmica, com foco na identificação e tratamento da causa subjacente. No choque neurogênico, além da reposição volêmica, podem ser necessários vasopressores para manter a pressão arterial e, em alguns casos, atropina para bradicardia. A intubação, se necessária, deve ser realizada com cautela para evitar piora da lesão medular, e a succinilcolina pode ser usada, mas com atenção ao risco de hipercalemia em lesões antigas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clássicos do choque neurogênico?

Os sinais clássicos do choque neurogênico incluem hipotensão (devido à vasodilatação), bradicardia (pela perda do tônus simpático cardíaco) e pele quente e seca (devido à vasodilatação periférica), em contraste com a pele fria e pálida do choque hipovolêmico.

Qual a importância do reflexo bulbo cavernoso no trauma?

O reflexo bulbo cavernoso é um reflexo sacral que, quando ausente, indica choque medular, uma condição de perda temporária da função neurológica abaixo do nível da lesão medular. Sua ausência pode persistir por horas a dias e é um marcador de lesão grave.

Como diferenciar choque neurogênico de choque hipovolêmico no trauma?

A diferenciação é crucial. O choque hipovolêmico geralmente apresenta hipotensão com taquicardia e pele fria/pálida. O choque neurogênico, por outro lado, cursa com hipotensão e bradicardia, e a pele pode estar quente e seca devido à vasodilatação. A presença de lesão medular é o fator chave para o neurogênico.

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