Choque Neurogênico: Diagnóstico e Manejo no Trauma Medular

UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2015

Enunciado

Paciente vítima de capotamento em Rodovia Estadual. O SAMU foi acionado e resgata o referido paciente. Ao chegar ao Pronto-Socorro, este encontra-se hipotenso, pulso 90, leitos ungueais rosados, com bom preenchimento capilar, priapismo e ausência do tônus do esfíncter anal. Exames laboratoriais evidenciam acidoses e lactato elevado. Qual tipo de choque apresenta o paciente?

Alternativas

  1. A) Compressivo
  2. B) Hemorrágico 
  3. C) Cardiogênico
  4. D) Séptico
  5. E) Neurogênico

Pérola Clínica

Choque neurogênico: hipotensão + bradicardia relativa + pele quente/rosada + priapismo + perda tônus esfíncter anal.

Resumo-Chave

O choque neurogênico é uma forma de choque distributivo causada por lesão da medula espinhal, geralmente acima de T6, resultando em perda do tônus simpático. Isso leva a vasodilatação periférica, bradicardia e hipotensão, com pele quente e seca, diferenciando-o do choque hipovolêmico.

Contexto Educacional

O choque neurogênico é uma condição grave que resulta de uma lesão na medula espinhal, geralmente acima de T6, levando à perda do tônus simpático e à predominância do parassimpático. Isso causa vasodilatação sistêmica, hipotensão e bradicardia, com a pele apresentando-se quente e seca, um achado distintivo em comparação com outros tipos de choque. É crucial para o residente reconhecer rapidamente essa condição no contexto do trauma. A fisiopatologia envolve a interrupção das vias simpáticas descendentes, resultando em perda do controle vasomotor e da regulação da frequência cardíaca. Os sinais clínicos incluem hipotensão, bradicardia (ou frequência cardíaca normal para o grau de hipotensão), priapismo (pela vasodilatação peniana sem controle simpático) e perda do tônus do esfíncter anal, indicando lesão medular. A acidose e o lactato elevado refletem a hipoperfusão tecidual generalizada. O tratamento inicial foca na estabilização hemodinâmica com fluidos e, frequentemente, vasopressores para manter a pressão arterial média, além de atropina para bradicardia. A imobilização da coluna é fundamental. O prognóstico depende da extensão da lesão medular e da rapidez do reconhecimento e tratamento do choque.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clássicos do choque neurogênico?

Os sinais clássicos incluem hipotensão, bradicardia relativa, pele quente e rosada devido à vasodilatação periférica, priapismo e perda do tônus do esfíncter anal, indicando lesão medular.

Como diferenciar choque neurogênico de choque hipovolêmico?

A diferenciação se baseia principalmente na temperatura e coloração da pele (quente/rosada no neurogênico vs. fria/pálida no hipovolêmico) e na frequência cardíaca (bradicardia/normal no neurogênico vs. taquicardia no hipovolêmico).

Qual a fisiopatologia do priapismo no choque neurogênico?

O priapismo no choque neurogênico ocorre devido à interrupção das vias simpáticas descendentes que controlam a ereção. A perda do tônus simpático leva à vasodilatação peniana persistente e ereção prolongada, sem controle.

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