Choque Medular: Diagnóstico e Sinais Chave no Trauma

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2022

Enunciado

Homem de 34 anos foi vítima de acidente automobilístico. Exame físico: desacordado, pele fria e pálida, PA 85/40 mmHg, FC 70 bpm, FR 12 irpm, sem fontes de sangramento externo. Pode-se afirmar que a

Alternativas

  1. A) causa do choque é decorrente de lesão parassimpática.
  2. B) suspeita é de choque neurogênico, por isso a hipotensão permissiva deve ser considerada.
  3. C) ausência de reflexo bulbo cavernoso indicaria choque medular.
  4. D) succinilcolina é a droga de escolha nesse caso, se houver necessidade de intubação.

Pérola Clínica

Trauma raquimedular alto → Choque medular (hipotensão + bradicardia) → Reflexo bulbo cavernoso ausente.

Resumo-Chave

O choque medular (ou neurogênico) é causado por lesão da medula espinhal acima de T6, resultando em perda do tônus simpático e predominância parassimpática, manifestada por hipotensão e bradicardia. O reflexo bulbo cavernoso é um indicador de integridade da medula sacral.

Contexto Educacional

O choque medular, frequentemente confundido com choque neurogênico, é uma condição complexa que se manifesta após trauma raquimedular, geralmente em lesões acima de T6. Caracteriza-se por hipotensão e bradicardia devido à perda do tônus simpático e predominância do parassimpático, resultando em vasodilatação e acúmulo de sangue periférico. A pele, ao contrário do choque hipovolêmico, tende a ser quente e seca. É crucial para residentes de emergência e cirurgia do trauma reconhecerem essa condição. A avaliação neurológica no trauma é fundamental. O reflexo bulbo cavernoso, que envolve a contração do esfíncter anal externo em resposta à compressão da glande ou clitóris, testa a integridade dos segmentos sacrais da medula (S2-S4). Sua ausência pode indicar uma lesão medular completa ou o período de choque medular, que é a perda temporária de todas as funções neurológicas abaixo do nível da lesão, e não o choque neurogênico em si. O manejo inicial foca na estabilização hemodinâmica com fluidos e, se necessário, vasopressores para manter a perfusão medular. A intubação pode ser necessária, e a escolha do relaxante muscular deve considerar a possibilidade de hipercalemia com succinilcolina em lesões medulares antigas. O prognóstico depende da extensão e nível da lesão, sendo essencial um diagnóstico e tratamento rápidos para minimizar sequelas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos do choque medular?

O choque medular, ou neurogênico, é caracterizado por hipotensão, bradicardia e pele quente e seca, devido à perda do tônus simpático e vasodilatação. Geralmente ocorre em lesões medulares acima de T6.

Qual a importância do reflexo bulbo cavernoso no trauma raquimedular?

O reflexo bulbo cavernoso avalia a integridade da medula sacral (S2-S4). Sua ausência pode indicar choque medular ou lesão medular completa, sendo um importante marcador para determinar o fim do choque medular e o início do choque neurogênico.

Como diferenciar choque medular de choque hipovolêmico no trauma?

O choque medular cursa com bradicardia e pele quente/seca, enquanto o choque hipovolêmico apresenta taquicardia e pele fria/úmida. Ambos causam hipotensão. A avaliação do reflexo bulbo cavernoso e a busca por fontes de sangramento são cruciais para o diagnóstico diferencial.

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