Choque Neurogênico: Diagnóstico e Diferencial no Trauma

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2020

Enunciado

Um motociclista de 22 anos é envolvido em uma colisão com um carro, sendo atendido pela equipe do SAMU 192 que realizou o atendimento inicial conforme o PHTLS (Prehospital Trauma Life Support) e aplicou técnicas de restrição de movimento da coluna. Levado até a sala de emergência tem os seguintes dados na avaliação inicial: A: via aérea pérvia, fala confuso, oxigênio suplementar (12l/min) e colar cervical; B: FR = 28 irpm, simétrica, murmúrio bilateral presente, SaTO2 = 94%, ausência de crepitação óssea e de enfisema subcutâneo; C: Sangramento na perna direita controlado com curativo compressivo, pele quente, pulsos radiais palpáveis FC= 70 bpm, enchimento capilar < 2 seg. PA= 84 x 52 mmHg, pelve estável; D: pupilas isocóricas e fotorreagentes, Glasgow = 14; sem movimento motor e sensibilidade dos membros inferiores E: diversas escoriações asfálticas, deformidade no tornozelo E (imobilizado), dorso com escoriações e áreas de dor à palpação. Realizado o eFAST (negativo), Rx de tórax e pelve sem anormalidades. Com base na história clínica descrita, qual a provável origem do choque circulatório?

Alternativas

  1. A) Choque medular.
  2. B) Choque neurogênico.
  3. C) Choque hipovolêmico.
  4. D) Choque hemorrágico de fonte oculta.

Pérola Clínica

Trauma + hipotensão + bradicardia + pele quente + déficit neurológico = Choque Neurogênico.

Resumo-Chave

O choque neurogênico é causado por lesão medular (geralmente cervical ou torácica alta) que interrompe o tônus simpático, resultando em vasodilatação periférica (pele quente) e bradicardia (sem taquicardia compensatória), levando à hipotensão. A ausência de sinais de hemorragia e a presença de déficit neurológico corroboram o diagnóstico.

Contexto Educacional

O choque neurogênico é uma complicação grave de lesões medulares, tipicamente acima de T6, que resulta na interrupção das vias simpáticas descendentes. Diferenciá-lo de outras formas de choque, especialmente o hipovolêmico, é crucial no manejo inicial do paciente traumatizado. A tríade clássica de hipotensão, bradicardia e pele quente e seca é o principal indicativo, contrastando com a taquicardia e pele fria/úmida do choque hipovolêmico. No caso apresentado, o paciente com trauma raquimedular (evidenciado pela ausência de movimento e sensibilidade dos membros inferiores), hipotensão (PA 84x52 mmHg) e bradicardia (FC 70 bpm), além de pele quente e enchimento capilar normal, aponta fortemente para choque neurogênico. A ausência de sangramento evidente em eFAST, Rx de tórax e pelve reforça a exclusão de choque hemorrágico. O manejo do choque neurogênico envolve a imobilização da coluna, reposição volêmica cautelosa para manter a perfusão, e uso de vasopressores (como noradrenalina) para restaurar o tônus vascular. A bradicardia pode ser tratada com atropina. É importante ressaltar que o choque medular é um termo mais amplo que se refere à perda temporária da função neurológica abaixo do nível da lesão, enquanto o choque neurogênico é uma forma específica de choque distributivo.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clássicos que diferenciam o choque neurogênico do choque hipovolêmico?

No choque neurogênico, a tríade clássica é hipotensão, bradicardia e pele quente/seca, devido à perda do tônus simpático. No choque hipovolêmico, a hipotensão é acompanhada de taquicardia e pele fria/úmida, como resposta compensatória à perda volêmica.

Qual a fisiopatologia do choque neurogênico após trauma?

O choque neurogênico resulta de uma lesão na medula espinhal (geralmente acima de T6) que interrompe as vias simpáticas descendentes. Isso leva à perda do tônus vasomotor, causando vasodilatação periférica e acúmulo de sangue nos vasos, além de bradicardia pela interrupção da inervação simpática cardíaca.

Como a avaliação primária (ABCDE) e exames complementares auxiliam no diagnóstico do choque neurogênico?

A avaliação primária revela hipotensão e bradicardia, com déficits neurológicos (como paraplegia). Exames como eFAST negativo e radiografias sem sangramento evidente ajudam a excluir outras causas de choque, direcionando para a suspeita de lesão medular.

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