Choque Neurogênico no Trauma Cervical: Diagnóstico e Manejo

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2017

Enunciado

Um colegial de 17 anos chega à unidade de emergência após acidente resultante de mergulho em piscina rasa, usando colar cervical e prancha de imobilização de toda a coluna. Foi retirado imediatamente da piscina referindo dor na coluna cervical e paralisia motora dos membros superiores e inferiores. Na avaliação inicial, apresentava dificuldade respiratória, hipoventilação, paralisia dos músculos intercostais, PA = 80/40 mmHg, pulso 72/min, consciente, orientado, extremidades bem perfundidas e aquecidas. Qual a MELHOR conduta nesse caso?

Alternativas

  1. A) Suporte ventilatório, reposição volêmica, vasopressor e TC de toda a coluna.
  2. B) Ventilação sob máscara, reposição volêmica com soro fisiológico e TC da coluna cervical.
  3. C) Intubação, reposição de cristaloide, corticosteroides venosos e radiografias de toda a coluna.
  4. D) Máscara de Venturi, reposição com Ringer lactato, noradrenalina e radiografias de toda a coluna.

Pérola Clínica

Trauma cervical com hipotensão + bradicardia + hipoventilação → Choque neurogênico. Conduta: Suporte ventilatório, reposição volêmica, vasopressor, TC coluna.

Resumo-Chave

O choque neurogênico, comum em lesões medulares cervicais ou torácicas altas, manifesta-se por hipotensão e bradicardia devido à perda do tônus simpático. A conduta inicial foca em estabilização hemodinâmica e respiratória, com atenção à imobilização da coluna.

Contexto Educacional

O trauma raquimedular cervical é uma emergência grave que pode resultar em déficits neurológicos permanentes e risco de vida. A avaliação inicial, seguindo os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), é crucial para a estabilização do paciente. A presença de dificuldade respiratória, hipoventilação e paralisia dos músculos intercostais indica comprometimento da função respiratória, exigindo suporte ventilatório imediato, muitas vezes com intubação orotraqueal. A hipotensão e bradicardia, com extremidades aquecidas, são achados clássicos do choque neurogênico, que ocorre devido à interrupção das vias simpáticas descendentes, resultando em vasodilatação e bradicardia. Diferentemente do choque hipovolêmico, a reposição volêmica isolada pode não ser suficiente e o uso de vasopressores (como a noradrenalina) é frequentemente necessário para manter a perfusão cerebral e medular. A imobilização da coluna cervical é mandatória até que uma lesão seja excluída. Após a estabilização inicial, a investigação diagnóstica por imagem é essencial. A tomografia computadorizada (TC) de toda a coluna é o exame de escolha para avaliar lesões ósseas e alinhar a conduta terapêutica, que pode incluir cirurgia para descompressão e estabilização. O manejo precoce e adequado é determinante para o prognóstico neurológico do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clássicos do choque neurogênico?

O choque neurogênico é caracterizado por hipotensão, bradicardia e extremidades quentes e bem perfundidas, resultantes da perda do tônus simpático abaixo do nível da lesão medular.

Qual a conduta inicial para um paciente com suspeita de choque neurogênico após trauma cervical?

A conduta inicial inclui suporte ventilatório (intubação se necessário), reposição volêmica cautelosa com cristaloides e uso precoce de vasopressores (ex: noradrenalina) para manter a pressão arterial, além de imobilização da coluna e investigação por TC.

Por que a TC de toda a coluna é importante nesse caso?

A tomografia computadorizada de toda a coluna é fundamental para identificar a extensão e a natureza da lesão óssea e medular, guiando o tratamento definitivo e a prevenção de lesões secundárias.

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