Choque Neurogênico: Diagnóstico e Manejo no Trauma

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem de 19 anos dá entrada em Unidade de Pronto Atendimento com história de mergulho em lago. Exame físico: sonolento, confuso, fala empastada, hálito etílico, paresia dos membros inferiores e ferimento cortocontuso na cabeça, FC: 68 bpm, FR: 18 irpm, SatO₂: 98% (ar ambiente); PA: 80 x 50 mmHg.Pode-se afirmar, corretamente, que

Alternativas

  1. A) não há necessidade de suporte de oxigênio, uma vez que o paciente apresenta boa saturação em ar ambiente.
  2. B) o deficit neurológico dos membros inferiores é secundário a uma lesão cranioencefálica.
  3. C) se trata de choque hipovolêmico e deve-se iniciar o tratamento com reposição volêmica com 2000 mL de cristaloide intravenoso em bolus.
  4. D) a causa do choque e do deficit neurológico é uma provável lesão ou compressão de medula ou raízes nervosas ao nível da coluna cervical baixa/torácica alta.

Pérola Clínica

Hipotensão + bradicardia + déficit neurológico pós-trauma → choque neurogênico por lesão medular.

Resumo-Chave

A tríade de hipotensão, bradicardia e déficit neurológico (paresia de MMII) após trauma, especialmente em mergulho, é altamente sugestiva de choque neurogênico devido a lesão medular cervical ou torácica alta. A intoxicação etílica pode mascarar ou agravar o quadro.

Contexto Educacional

O choque neurogênico é uma forma de choque distributivo que resulta da perda do tônus vasomotor simpático devido a uma lesão na medula espinhal, geralmente acima de T6. É uma complicação grave do trauma raquimedular e pode levar a hipotensão e bradicardia, comprometendo a perfusão tecidual. A identificação precoce é crucial para evitar lesões secundárias à medula. A fisiopatologia envolve a interrupção das vias simpáticas descendentes, que são responsáveis pela vasoconstrição periférica e pela aceleração da frequência cardíaca. Com a perda do controle simpático, ocorre vasodilatação generalizada e predominância do tônus parassimpático, resultando em hipotensão e bradicardia. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de hipotensão, bradicardia e déficit neurológico após um trauma compatível. O manejo inicial foca na estabilização hemodinâmica e na proteção da medula espinhal. Isso inclui imobilização da coluna, reposição volêmica para otimizar a pré-carga (com cautela para evitar sobrecarga), uso de vasopressores para manter a pressão arterial média e atropina para bradicardia sintomática. O objetivo é manter a perfusão da medula espinhal e prevenir danos adicionais.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clássicos do choque neurogênico?

O choque neurogênico é caracterizado pela tríade de hipotensão, bradicardia e vasodilatação periférica (pele quente e seca), associada a um déficit neurológico decorrente de lesão medular.

Por que a bradicardia ocorre no choque neurogênico?

A bradicardia ocorre devido à interrupção das vias simpáticas descendentes que inervam o coração, resultando em predominância do tônus parassimpático e consequente diminuição da frequência cardíaca.

Qual a conduta inicial no manejo do choque neurogênico?

A conduta inicial inclui imobilização da coluna, reposição volêmica cautelosa para manter a perfusão, uso de vasopressores (como noradrenalina) para elevar a pressão arterial e atropina para bradicardia refratária.

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