Choque Medular: Diagnóstico e Manejo no Trauma Cervical

SUS-RR - Sistema Único de Saúde de Roraima — Prova 2018

Enunciado

Paciente chega ao P S após mergulho em água rasa. No momento apresentando dispneia, ausência de sensibilidade térmica, tátil e dolorosa dos ombros para baixo além de elevação das cúpulas frênicas ao RX de tórax. PAS -80 mmhg. Para o mesmo paciente acima, foi feita reposição volêmica inicial de 2000ml e ele persistiu com PAS- 80. A ausculta pulmonar era normal e o US abdominal não evidenciava líquido em cavidade. A causa mais provável da hipotensão é:

Alternativas

  1. A) Choque séptico 
  2. B) Traumatismo cranioencefálico 
  3. C) Hemotórax volumoso bilateral
  4. D) Choque medular

Pérola Clínica

Trauma raquimedular cervical → Choque medular (hipotensão, bradicardia, perda sensitiva/motora, disfunção diafragmática).

Resumo-Chave

Em trauma raquimedular cervical, a lesão medular pode levar a choque neurogênico (parte do choque medular), caracterizado por hipotensão refratária a volume, bradicardia e perda de sensibilidade/função motora, além de disfunção respiratória por paralisia diafragmática.

Contexto Educacional

O trauma raquimedular (TRM) é uma lesão devastadora que pode resultar em déficits neurológicos permanentes. O mergulho em água rasa é uma causa comum de TRM cervical, levando a lesões que afetam a medula espinhal em níveis altos. A suspeita de TRM cervical é crucial em pacientes com trauma acima da clavícula ou com déficits neurológicos. O choque medular refere-se à perda temporária de todas as funções neurológicas (sensitiva, motora e reflexa) abaixo do nível da lesão, que pode durar dias a semanas. Associado a ele, o choque neurogênico é uma forma de choque distributivo causada pela interrupção da via simpática descendente, resultando em vasodilatação sistêmica e bradicardia. Clinicamente, manifesta-se por hipotensão refratária a fluidos, bradicardia e pele quente e seca. O manejo inicial envolve a imobilização da coluna cervical, suporte ventilatório (especialmente se houver comprometimento diafragmático), e tratamento da hipotensão com vasopressores (como noradrenalina) para manter a perfusão medular, além de monitorização rigorosa e avaliação neurocirúrgica. A distinção entre choque neurogênico e hipovolêmico é vital para evitar a sobrecarga hídrica.

Perguntas Frequentes

Quais são as características do choque medular?

O choque medular é uma condição transitória de perda de reflexos e função motora e sensitiva abaixo do nível da lesão medular. O choque neurogênico, uma de suas manifestações, é caracterizado por hipotensão, bradicardia e vasodilatação periférica devido à perda do tônus simpático.

Por que a hipotensão no choque medular é refratária a volume?

A hipotensão no choque medular é causada por vasodilatação sistêmica e bradicardia devido à interrupção da inervação simpática. A reposição volêmica isolada é ineficaz, sendo necessários vasopressores (como noradrenalina) para restaurar o tônus vascular e manter a perfusão.

Qual a importância da elevação das cúpulas frênicas no trauma cervical?

A elevação das cúpulas frênicas sugere paralisia diafragmática, indicando lesão medular cervical alta (C3-C5), onde se localiza o nervo frênico. Isso implica risco de insuficiência respiratória e necessidade de suporte ventilatório imediato.

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