Choque Medular e Neurogênico: Diferenças e Manejo

UNIFESO/HCTCO - Hospital das Clínicas de Teresópolis Costantino Ottaviano (RJ) — Prova 2019

Enunciado

Sobre o choque medular e neurogênico após o trauma raquimedular, todas as afirmativas abaixo são verdadeiras, EXCETO: (TRM)

Alternativas

  1. A) O choque medular é caracterizado, habitualmente, por perda da sensibilidade e paralisia flácida, além da perda dos reflexos, da área acometida para baixo.
  2. B) O chamado choque neurogênico é uma síndrome circulatória, decorrente de interrupção da inervação simpática causada pelo trauma medular, caracterizada por hipotensão e bradicardia.
  3. C) A identificação do reflexo bulbo-cavernoso indica o fim da fase de choque medular por vezes também chamado de trauma medular agudo, e permite avaliar de forma mais objetiva o real dano neurológico e iniciar algum tipo de prognóstico.
  4. D) O termo choque medular é utilizado para identificar aspectos neurológicos do traumatismo raquimedular, enquanto o termo choque neurogênico refere-se aos aspectos hemodinâmicos.
  5. E) O tratamento inicial do choque neurogênico consiste basicamente em hidratação venosa generosa, nesse sentido assemelhando-se ao choque hipovolêmico.

Pérola Clínica

Choque neurogênico: hipotensão + bradicardia por disfunção simpática; NÃO tratar como choque hipovolêmico.

Resumo-Chave

O choque neurogênico é caracterizado por hipotensão e bradicardia devido à interrupção da inervação simpática. Embora a hidratação inicial seja importante, o tratamento principal não é apenas hidratação generosa, mas também o uso de vasopressores para manter a perfusão, pois a vasodilatação é o problema primário, não a hipovolemia.

Contexto Educacional

O trauma raquimedular (TRM) pode levar a duas condições distintas, mas frequentemente confundidas: o choque medular e o choque neurogênico. O choque medular refere-se à perda temporária de toda a função neurológica (sensibilidade, motricidade e reflexos) abaixo do nível da lesão, devido à concussão ou edema medular. É um fenômeno neurológico que pode durar dias a semanas. Já o choque neurogênico é uma condição hemodinâmica grave, resultante da interrupção da inervação simpática do coração e dos vasos sanguíneos, levando a vasodilatação e bradicardia. No choque medular, a paralisia flácida e a arreflexia são características, e o retorno do reflexo bulbo-cavernoso marca o fim dessa fase, permitindo uma avaliação mais precisa do dano neurológico residual. O choque neurogênico, por sua vez, manifesta-se por hipotensão (devido à vasodilatação periférica) e bradicardia (pela perda do tônus simpático cardíaco), com a pele geralmente quente e seca. É crucial diferenciar essas duas entidades para o manejo adequado, pois o choque neurogênico exige intervenção hemodinâmica específica. O tratamento do choque neurogênico difere significativamente do choque hipovolêmico. Embora a reposição volêmica inicial possa ser necessária para otimizar a pré-carga, a abordagem principal é o uso de vasopressores (como a noradrenalina) para restaurar o tônus vascular e, se necessário, cronotrópicos para a bradicardia. A administração excessiva de fluidos pode levar a edema pulmonar, especialmente em pacientes com disfunção cardíaca preexistente. O objetivo é manter a pressão de perfusão medular e cerebral, otimizando o fluxo sanguíneo para a medula espinhal lesionada.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre choque medular e choque neurogênico?

O choque medular é uma disfunção neurológica temporária após TRM, com perda de reflexos e flacidez abaixo da lesão. O choque neurogênico é uma síndrome hemodinâmica, com hipotensão e bradicardia devido à perda do tônus simpático.

Como o reflexo bulbo-cavernoso se relaciona com o choque medular?

A presença do reflexo bulbo-cavernoso indica o fim da fase de choque medular, permitindo uma avaliação mais precisa do dano neurológico permanente e do prognóstico após o trauma raquimedular.

Qual o tratamento inicial do choque neurogênico?

O tratamento inicial do choque neurogênico envolve a manutenção da perfusão medular e cerebral. Embora fluidos sejam usados com cautela, o foco principal é o uso de vasopressores (ex: noradrenalina) para combater a vasodilatação e, se necessário, cronotrópicos para a bradicardia.

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