SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2016
Um homem de 32 anos caiu da laje, de aproximadamente 4 metros de altura, há cerca de 1 hora. Dados no local: P: 120 bpm; PA: 150 × 80 mmHg; Glasgow: 15. Na chegada ao hospital: A: via aérea pérvia, respiração aparentemente normal. B: murmúrio vesicular presente bilateralmente, sem ruídos adventícios; saturação de O2: 96%, com máscara com 15 L O2/minuto, frequência respiratória: 14 incursões respiratórias por minuto. C: frequência cardíaca: 92 bpm, PA: 110 × 90 mmHg, extremidades quentes, tempo de enchimento capilar: 1 s, sem estase jugular; abdome indolor, sem hipersensibilidade; toque retal: esfíncter hipotônico, sem sangue, próstata tocável, regular. Pelve estável. FAST (focused assessment sonography in trauma): negativo. Sondagem vesical: urina clara. D: Glasgow 15, pupilas isocóricas e fotorreagentes, reflexo bulbocavernoso ausente. E: palpação de deformidade dolorosa em coluna vertebral, na transição toracolombar. Tem paraparesia e paraplegia crural com flacidez e déficit de sensibilidade em membros inferiores. Os familiares perguntaram se o paciente ficará definitivamente paraplégico. Melhor resposta:
Lesão medular aguda → fase de choque medular inicial impede prognóstico definitivo de paraplegia.
A fase de choque medular é um período de flacidez e arreflexia distal à lesão, que pode durar dias a semanas. Durante este período, a ausência do reflexo bulbocavernoso não indica lesão completa definitiva, pois a função pode retornar após a resolução do choque. Portanto, o prognóstico da paraplegia não pode ser determinado imediatamente.
O choque medular é uma condição transitória que ocorre imediatamente após uma lesão traumática da medula espinhal. Caracteriza-se pela perda completa e temporária de todas as funções neurológicas (motora, sensitiva e reflexa) abaixo do nível da lesão, resultando em flacidez e arreflexia. Sua duração pode variar de horas a semanas, e a recuperação do reflexo bulbocavernoso é um marco importante que indica o fim desta fase e o início da recuperação ou estabilização neurológica. A fisiopatologia envolve a interrupção súbita das vias descendentes e ascendentes, levando a uma disfunção temporária dos neurônios motores e sensitivos. É crucial não confundir choque medular com choque neurogênico; este último é uma forma de choque distributivo resultante da perda do tônus simpático, manifestando-se com hipotensão e bradicardia, geralmente em lesões acima de T6. A avaliação inicial deve focar na estabilização do paciente e na exclusão de outras causas de choque. O prognóstico da recuperação neurológica em pacientes com lesão medular aguda não pode ser determinado na fase de choque medular devido à supressão da função. A persistência de qualquer função motora ou sensitiva abaixo do nível da lesão após a resolução do choque medular indica uma lesão incompleta e um melhor prognóstico. O tratamento inicial visa a estabilização da coluna e a prevenção de lesões secundárias, enquanto a reabilitação precoce é fundamental para maximizar a recuperação funcional.
O choque medular é caracterizado pela perda temporária de todos os reflexos, tônus muscular e sensibilidade abaixo do nível da lesão medular, resultando em flacidez e arreflexia.
Durante o choque medular, a função neurológica está suprimida. A recuperação de alguns reflexos, como o bulbocavernoso, marca o fim desta fase e permite uma avaliação mais precisa do potencial de recuperação.
Choque medular refere-se à supressão transitória da função neurológica. Choque neurogênico é um tipo de choque distributivo causado por lesão medular alta, levando a hipotensão e bradicardia devido à perda do tônus simpático.
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