Choque Medular: Diagnóstico e Manejo no Trauma

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente, com história de acidente de moto em autopista, chega à sala de emergência com déficit sensitivo e motor em membros inferiores e ausência do reflexo bulbocavernoso. O que está ocorrendo com o paciente é o seguinte:

Alternativas

  1. A) apresenta traumatismo cranioencefálico grave.
  2. B) apresenta lesão de nervo periférico.
  3. C) apresenta lesão completa da coluna vertebral em T12.
  4. D) está em choque medular.
  5. E) tem indicação de descompressão da medula.

Pérola Clínica

Choque medular = paralisia flácida, arreflexia e perda sensitiva abaixo da lesão, com reflexo bulbocavernoso ausente.

Resumo-Chave

O choque medular é uma condição transitória de perda de função neurológica abaixo do nível da lesão medular, caracterizada por flacidez e arreflexia. A ausência do reflexo bulbocavernoso é um sinal chave que indica a fase aguda do choque medular, diferenciando-o de uma lesão medular completa permanente.

Contexto Educacional

O choque medular é uma condição neurológica transitória que ocorre após uma lesão medular aguda, caracterizada pela perda completa da função motora, sensitiva e reflexa abaixo do nível da lesão. É crucial para residentes de emergência e cirurgia entenderem essa condição, pois ela pode mascarar a extensão real da lesão medular, dificultando a avaliação prognóstica inicial. A prevalência está diretamente ligada à incidência de traumas raquimedulares, frequentemente decorrentes de acidentes automobilísticos e quedas. Fisiopatologicamente, o choque medular é resultado da interrupção súbita das vias descendentes e ascendentes da medula espinhal, levando a uma disfunção temporária dos reflexos espinhais. O diagnóstico é clínico, baseado na ausência de reflexos, incluindo o reflexo bulbocavernoso, que é um marcador importante para determinar o fim da fase de choque medular. Enquanto o reflexo bulbocavernoso estiver ausente, a lesão não pode ser classificada como completa ou incompleta de forma definitiva. O manejo inicial foca na estabilização do paciente, imobilização da coluna e suporte hemodinâmico. O prognóstico da recuperação neurológica só pode ser avaliado com precisão após a resolução do choque medular, que pode levar dias a semanas. É fundamental monitorar o retorno dos reflexos para reavaliar a extensão da lesão e planejar a reabilitação.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos do choque medular?

O choque medular manifesta-se com paralisia flácida, perda de sensibilidade e arreflexia (incluindo o reflexo bulbocavernoso) abaixo do nível da lesão medular.

Qual a diferença entre choque medular e choque neurogênico?

Choque medular refere-se à perda transitória da função reflexa da medula espinhal, enquanto choque neurogênico é um tipo de choque distributivo com hipotensão e bradicardia devido à disfunção autonômica.

Por que o reflexo bulbocavernoso é importante no choque medular?

A ausência do reflexo bulbocavernoso indica que o paciente ainda está na fase de choque medular. Seu retorno marca o fim do choque medular e permite uma avaliação mais precisa da lesão medular.

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