UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2021
Paciente de 23 anos, vítima de acidente automobilístico com evidências externas de trauma abdominal fechado. A avaliação inicial do trauma, paciente encontra-se com vias aéreas pérvias, FC: 125, FR: 30, PA: 80/50 mmHg, diurese de 20 ml/h, confuso, Glasgow 13, sem evidência de TCE, pulso fino e filiforme, perfusão distal diminuída. De acordo com ATLS 10º edição, classifique o grau de choque e a conduta mais adequada neste caso:
Trauma + FC > 120, PA ↓, Confuso, Diurese ↓ → Choque Grau III/IV → Cristaloides, Sangue O-, TXA, Laparotomia se refratário.
O paciente apresenta sinais de choque hipovolêmico grave (Grau III) devido ao trauma abdominal. A conduta inicial pelo ATLS 10ª edição inclui reposição volêmica com cristaloides, mas, dada a gravidade e a falta de resposta esperada, a transfusão precoce de hemoderivados (sangue O-, plaquetas, plasma) e o uso de ácido tranexâmico são cruciais para controlar a hemorragia e reverter o choque. A tomografia é reservada para pacientes estáveis ou que respondem à ressuscitação.
O choque hipovolêmico é a principal causa de morte evitável no trauma, e sua rápida identificação e manejo são cruciais. O Advanced Trauma Life Support (ATLS) estabelece diretrizes claras para a classificação e tratamento do choque hemorrágico, baseando-se em parâmetros fisiológicos que refletem a perda volêmica e a resposta compensatória do organismo. A classificação do choque em graus (I a IV) permite uma avaliação rápida da gravidade e orienta a conduta. Pacientes com choque Grau III, como o descrito na questão, apresentam hipotensão, taquicardia significativa, taquipneia, oligúria e alteração do estado mental, indicando uma perda sanguínea substancial (30-40%). Nesses casos, a reposição volêmica inicial com cristaloides deve ser seguida rapidamente pela transfusão de hemoderivados (sangue O-, plasma, plaquetas) e administração de ácido tranexâmico, conforme o protocolo de transfusão maciça. A tomografia computadorizada com contraste é um exame valioso para identificar a fonte do sangramento, mas só deve ser realizada em pacientes hemodinamicamente estáveis ou que respondem à ressuscitação inicial. A persistência da instabilidade hemodinâmica, apesar das medidas de ressuscitação, é uma indicação para laparotomia exploradora de emergência, visando ao controle cirúrgico do sangramento.
O ATLS classifica o choque com base na perda estimada de volume sanguíneo, frequência cardíaca, pressão arterial, frequência respiratória, débito urinário e estado mental do paciente.
O ácido tranexâmico é um antifibrinolítico que reduz a mortalidade em pacientes com trauma e sangramento significativo, especialmente se administrado nas primeiras 3 horas após a lesão, ao inibir a quebra do coágulo.
A laparotomia de emergência é indicada em pacientes com trauma abdominal e choque que não respondem à reposição volêmica inicial com cristaloides e hemoderivados, ou que apresentam sinais de instabilidade hemodinâmica persistente.
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