Choque Hipovolêmico no Trauma: Manejo Inicial e FAST

Santa Casa de Araçatuba (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente vítima de queda de telhado (aproximadamente 15 metros), há 45 minutos, queixa-se de dor abdominal. Achados de exame físico revelam consciência preservada, orientada, PA: 70x30 mmHg, FC: 130 bpm, FR: 28 irpm, pálida, descorada (3+/4+), exame físico torácico sem alterações. Abdome doloroso a palpação, sem sinais de peritonite. A sequência de conduta mais adequada é:

Alternativas

  1. A) entubação orotraqueal, tomografia de abome e pelve e avaliação neurológica.
  2. B) oxigenação, expansão volêmica com cristaloides e hemoderivados e ultrassonografia em sala de emergência (FAST).
  3. C) ventilação não invasiva, expansão com colóides e tomografia de abdome.
  4. D) intubação orotraqueal e laparotomia de reanimação em sala de emergência.

Pérola Clínica

Choque hipovolêmico pós-trauma → ABCDE, expansão volêmica agressiva (cristaloides + hemoderivados) e FAST para diagnóstico rápido.

Resumo-Chave

O paciente apresenta sinais clássicos de choque hipovolêmico (PA 70x30, FC 130, palidez) após trauma de alta energia. A prioridade é estabilizar a hemodinâmica com oxigenação e expansão volêmica, enquanto se busca a fonte do sangramento com FAST, seguindo os princípios do ATLS.

Contexto Educacional

O choque hipovolêmico é uma das principais causas de morte evitável no trauma, sendo fundamental o reconhecimento precoce e a intervenção imediata. A queda de altura é um mecanismo de trauma de alta energia, que pode causar lesões internas graves, mesmo na ausência de sinais externos óbvios. A prioridade é sempre a avaliação e o manejo das vias aéreas, respiração e circulação (ABC) conforme os princípios do ATLS. A fisiopatologia do choque hipovolêmico envolve a perda de volume sanguíneo, levando à diminuição do débito cardíaco e perfusão tecidual inadequada. A hipotensão e taquicardia são sinais compensatórios iniciais, mas indicam um estado de choque avançado. O FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) é uma ferramenta diagnóstica rápida e não invasiva para identificar sangramento intra-abdominal ou pericárdico em pacientes instáveis, auxiliando na decisão por laparotomia exploradora. O tratamento inicial consiste em oxigenação suplementar, acesso venoso calibroso e expansão volêmica agressiva com cristaloides e, se necessário, hemoderivados (protocolo de transfusão maciça). A estabilização hemodinâmica é crucial antes de procedimentos diagnósticos mais complexos como a tomografia. O objetivo é restaurar a perfusão tecidual e identificar e controlar a fonte do sangramento o mais rápido possível para melhorar o prognóstico do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de choque hipovolêmico em um paciente traumatizado?

Sinais incluem hipotensão, taquicardia, taquipneia, palidez, tempo de enchimento capilar prolongado e alteração do nível de consciência.

Qual a importância do FAST na avaliação inicial do trauma abdominal?

O FAST é crucial para identificar rapidamente a presença de líquido livre (sangue) na cavidade abdominal ou pericárdio, guiando a necessidade de intervenção cirúrgica emergencial.

Por que a expansão volêmica com hemoderivados é indicada precocemente no choque hemorrágico?

Hemoderivados, como concentrado de hemácias, plasma fresco congelado e plaquetas, são essenciais para repor a capacidade de transporte de oxigênio e os fatores de coagulação perdidos, combatendo a coagulopatia induzida pelo trauma.

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