Manejo do Choque Hipovolêmico no Trauma Abdominal

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2026

Enunciado

Mulher de 42 anos, vítima de capotamento de veículo a 90 km/h seguido de colisão com árvore, há uma hora, condutora do veículo, com cinto de segurança, é levada pelo resgate em prancha rígida e com colar cervical. A avaliação, quando a paciente foi admitida na unidade de saúde, demonstra: • A: conversa, respiração sem ruídos, saturação de O2 igual a 92% com máscara não reinalante a 15 L/min; • B: frequência respiratória de 18 ipm, MV+ sem ruídos adventícios, escoriações em tórax anterior e posterior, sem alterações à inspeção e à palpação; • C: pressão arterial de 100x70 mmHg, frequência cardíaca de 110 bpm, tempo de enchimento capilar de 4 segundos, escoriações abdominais e hematoma em flanco direito e dor difusa à palpação abdominal, FAST positivo em quadrante esplenorrenal e hepatorrenal, pelve estável, membro inferiores sem deformidade ou sangramento externo; • D: pupilas isocóricas e fotorreagentes, escala de coma de Glasgow: AO 4 RV 5 RM 6; • E: escoriações em dorso, sem dor à palpação da coluna vertebral. Considerando o quadro, é correto afirmar que, no momento de admissão da paciente, as condutas pertinentes envolvem fazer expansão volêmica com?

Alternativas

  1. A) 500 mL de cristaloide aquecido e solicitar tipagem sanguínea, gasometria arterial com lactato e realizar laparotomia de urgência.
  2. B) Um concentrado de hemácias O negativo, solicitar tomografia de abdome com contraste, tipagem sanguínea, gasometria arterial com lactato e avaliação pela cirurgia.
  3. C) 500 mL de cristaloide aquecido e solicitar tipagem sanguínea, gasometria arterial com lactato e avaliação pela cirurgia.
  4. D) 500 mL de cristaloide aquecido e um concentrado de hemácias O negativo, solicitar tipagem sanguínea e reavaliar necessidade de avaliação cirúrgica após a reanimação volêmica.

Pérola Clínica

Choque classe II/III no trauma → 1L (ou 500ml) cristaloide aquecido + avaliação precoce de hemoderivados.

Resumo-Chave

Paciente com trauma abdominal, FAST positivo e sinais de choque (taquicardia, TEC lentificado) requer reanimação volêmica criteriosa com cristaloide aquecido e avaliação cirúrgica imediata.

Contexto Educacional

O atendimento ao trauma segue a sistematização do ABCDE. No 'C' (Circulação), a identificação do choque hipovolêmico é prioritária. Esta paciente apresenta sinais de choque classe II/III (FC 110, TEC 4s, PA limítrofe). O FAST positivo indica líquido livre intraperitoneal, sugerindo hemoperitônio. A estratégia atual foca na reanimação balanceada, evitando a sobrecarga hídrica e priorizando a intervenção definitiva (cirurgia) em casos de instabilidade.

Perguntas Frequentes

Qual o volume inicial de cristaloide recomendado pelo ATLS?

A 10ª edição do ATLS recomenda um bolus inicial de 1 litro de cristaloide isotônico aquecido para adultos. No entanto, em cenários de choque evidente com suspeita de hemorragia ativa, a transição precoce para hemoderivados e a limitação de cristaloides são fundamentais para evitar a tríade da morte (acidose, coagulopatia e hipotermia).

O que define a necessidade de laparotomia imediata?

A indicação de laparotomia de urgência baseia-se na instabilidade hemodinâmica persistente associada a uma fonte de sangramento abdominal identificada (como FAST positivo ou lavagem peritoneal diagnóstica positiva). Se a paciente responde inicialmente ao volume, pode-se considerar exames de imagem como a TC para melhor caracterização das lesões.

Por que usar cristaloide aquecido?

O uso de fluidos aquecidos (37-40°C) é crucial para prevenir ou tratar a hipotermia, que é um componente da tríade letal no trauma. A hipotermia prejudica a cascata de coagulação e a função plaquetária, exacerbando o sangramento e aumentando a mortalidade em pacientes politraumatizados.

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