UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2021
João tem 22 anos e foi vítima de atropelamento há 60 minutos. Foi conduzido pelo SAMU imobilizado, com colar cervical e prancha rígida, com via aérea definitiva por intubação orortraqueal. Iniciada a avaliação de acordo com o Advanced Trauma Life Suport (ATLS) 10 ed, a via aérea estava pérvia garantida por IOT, está sob sedação e bloqueio neuromuscular, colar cervical posicionado; o murmúrio vesicular era audível em ambos os hemitórax e a saturação de oxigênio era 92%. As bulhas são normofonéticas e não há turgência jugular. Os membros inferiores estão simétricos e centrados e o abdome apresenta equimose em flanco direito. O paciente mantém quadro de choque mesmo após reposição volêmica vigorosa. A conduta nesse momento deve ser:
Paciente traumatizado em choque refratário à volume, com sinais de trauma abdominal → FAST para sangramento e possível laparotomia.
Em um paciente traumatizado com choque persistente após reposição volêmica e sinais de trauma abdominal (equimose em flanco), a prioridade é identificar a fonte do sangramento. O FAST é a ferramenta inicial rápida para detectar líquido livre na cavidade abdominal, indicando hemorragia interna e a necessidade de laparotomia.
O manejo do paciente traumatizado segue os princípios do Advanced Trauma Life Support (ATLS), que prioriza a identificação e tratamento das lesões com risco de vida imediato. A avaliação inicial (ABCDE) é fundamental, e a persistência do choque, mesmo após reposição volêmica vigorosa, indica sangramento ativo e a necessidade urgente de identificar e controlar a fonte da hemorragia. Em casos de trauma abdominal fechado, o abdome é uma das principais cavidades onde grandes volumes de sangue podem se acumular. No cenário apresentado, o paciente mantém choque após reposição volêmica e apresenta equimose em flanco direito, um sinal de trauma abdominal. Nesses casos, a ferramenta diagnóstica de escolha para identificar sangramento intra-abdominal é o FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma). O FAST é rápido, pode ser realizado à beira do leito e detecta líquido livre (sangue) no pericárdio, espaço hepatorrenal (Morison), esplenorrenal e pelve. Um FAST positivo em um paciente hemodinamicamente instável é uma indicação para laparotomia exploradora de emergência, pois sugere hemorragia intra-abdominal significativa que necessita de controle cirúrgico. Outras condutas, como tomografia de abdome, são mais adequadas para pacientes hemodinamicamente estáveis. O cateterismo vesical é importante para monitorar o débito urinário, mas não aborda a causa do choque. A avaliação neurológica (Glasgow) é parte da avaliação primária e secundária, mas a prioridade imediata em choque refratário é a estabilização hemodinâmica e o controle da hemorragia.
Suspeita-se de choque hipovolêmico quando o paciente apresenta taquicardia, hipotensão, pele fria e pegajosa, enchimento capilar lentificado, e alteração do nível de consciência, especialmente após trauma com potencial para sangramento.
O FAST é uma ferramenta ultrassonográfica rápida e não invasiva que permite identificar a presença de líquido livre (sangue) na cavidade abdominal, pericárdio e pleura. É crucial para identificar hemorragias internas em pacientes instáveis e guiar a decisão por laparotomia de emergência.
A laparotomia exploradora está indicada em pacientes traumatizados com choque persistente ou instabilidade hemodinâmica que não respondem à reposição volêmica, especialmente se o FAST for positivo para líquido livre abdominal, ou se houver sinais claros de peritonite ou evisceração.
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