USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025
Homem, 47 anos de idade, foi vítima de queda de andaime de 6 metros de altura. No atendimento pré-hospitalar, encontrava-se inconsciente, com PA de 90x60 mmHg e FC de 110 bpm. Foi realizada a intubação orotraqueal e infusão de 500 mL de cristaloide. Na admissão no Centro de Trauma, encontrava-se:A: Intubado com saturação de oxigênio de 97%. B: MV presente e sem deformidades no tórax.C: PA de 90x60 mmHg; FC de 120 bpm; FAST com líquido no espaço hepatorrenal.D: Sedação. Escala de coma de Glasgow de 3. Deformidade frontal.E: Sem alterações.A equipe médica iniciou a reanimação volêmica com 3 concentrados de hemácias, 3 bolsas de plasma fresco congelado e uma aférese de plaquetas.Qual das alternativas a seguir apresenta os fatores que justificam a reanimação volêmica realizada neste caso?
FAST positivo + Hipotensão em trauma = Indicação de reanimação volêmica agressiva com hemoderivados.
A presença de líquido livre no FAST (FAST positivo) em um paciente traumatizado com hipotensão arterial indica sangramento ativo e choque hipovolêmico, justificando a reanimação volêmica com hemoderivados (concentrado de hemácias, plasma, plaquetas) para estabilização hemodinâmica.
O trauma é uma das principais causas de morte e incapacidade em todo o mundo, e o manejo inicial adequado é crucial para a sobrevida do paciente. A avaliação rápida e a reanimação volêmica são pilares do atendimento ao traumatizado, especialmente em casos de choque hipovolêmico. A queda de altura é um mecanismo de trauma de alta energia, sugerindo lesões graves. A fisiopatologia do choque hipovolêmico no trauma envolve a perda aguda de volume sanguíneo, levando à diminuição da pré-carga, débito cardíaco e perfusão tecidual. A hipotensão (PA 90x60 mmHg) e a taquicardia (FC 120 bpm) são sinais clássicos de choque. O FAST positivo confirma a presença de sangramento interno, indicando a necessidade de intervenção rápida. A reanimação volêmica em trauma grave, especialmente com evidência de sangramento maciço, deve seguir um protocolo de transfusão maciça, que inclui a administração balanceada de concentrado de hemácias, plasma fresco congelado e plaquetas. O objetivo é restaurar a volemia, corrigir a coagulopatia induzida pelo trauma e pela diluição, e otimizar a oxigenação tecidual, visando a estabilização hemodinâmica e o controle da hemorragia.
Um FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) positivo indica a presença de líquido livre (geralmente sangue) em cavidades como o espaço hepatorrenal, esplenorrenal ou pélvico, sugerindo hemorragia interna.
Os principais indicadores incluem instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia), evidência de sangramento ativo (como FAST positivo) e sinais clínicos de choque, especialmente após falha da reposição inicial com cristaloides.
A reanimação com esses componentes visa corrigir a tríade letal do trauma (acidose, hipotermia e coagulopatia). Hemácias restauram a capacidade de transporte de oxigênio, plasma repõe fatores de coagulação e plaquetas auxiliam na hemostasia.
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