Choque Hipovolêmico em Trauma: Manejo e Shock Index

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2022

Enunciado

Um homem de 26 anos de idade foi levado ao serviço de emergência pelo serviço pré-hospitalar, em prancha longa, com colar cervical e história de agressão física com trauma abdominal fechado há trinta minutos. Recebeu atendimento em sala de trauma, seguindo os preceitos determinados pelo Advanced Trauma Life Support, além de monitorização e acesso venoso calibroso. A via aérea apresentava-se pérvia, tendo sido instalada uma máscara de oxigênio. O exame físico do aparelho respiratório mostrava tórax com expansão simétrica e ausculta normal. Quando se avaliou o sistema circulatório, foram observados sinais de hipoperfusão periférica, frequência cardíaca de 140 bpm e pressão arterial de 80 x 50 mmHg. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa correta. 

Alternativas

  1. A) O Shock index é de 1,75. Deve-se iniciar hidratação parcimoniosa com cristaloide, dar início ao protocolo de transfusão hemostática, solicitando concentrado de hemácias tipo O (fator Rh positivo ou negativo), plasma fresco congelado AB e plaquetas, além de prescrever ácido tranexâmico e reavaliar a resposta hemodinâmica. 
  2. B) O Shock index é de 1,75. Deve-se realizar FAST na sala de trauma, uma vez que o paciente não apresenta condições hemodinâmicas de realizar uma tomografia, solicitar sangue O, com fator Rh negativo, e prosseguir com o exame neurológico. 
  3. C) O Shock index é de 1,6. Deve-se prescrever hidratação vigorosa com 2 L de cristaloide a 39 graus Celsius e transfundir de acordo com o nível de hemoglobina após o resultado de exames complementares.
  4. D) O Shock index é de 1,6. Deve-se iniciar hidratação parcimoniosa, prescrever concentrado de hemácias tipo O negativo, plasma fresco congelado tipo O negativo, plaquetas e ácido tranexâmico e prosseguir com o exame físico neurológico.
  5. E) O Shock index é de 0,625. Deve-se iniciar hidratação vigorosa com 2 L de cristaloide a 39 graus Celsius, avaliar a resposta hemodinâmica e reavaliar a via aérea. 

Pérola Clínica

Choque hipovolêmico grave (Shock Index > 0.9) em trauma → reanimação agressiva com protocolo de transfusão maciça e ácido tranexâmico.

Resumo-Chave

O Shock Index (FC/PAS) é um indicador precoce de choque. Valores > 0.9 indicam choque grave e necessidade de reanimação agressiva, incluindo transfusão maciça e ácido tranexâmico, conforme diretrizes do ATLS para controle da hemorragia.

Contexto Educacional

O trauma abdominal fechado é uma causa comum de choque hipovolêmico, especialmente em vítimas de agressão física ou acidentes. A avaliação inicial segue o protocolo ATLS, priorizando a via aérea, respiração e circulação. A identificação precoce do choque é crucial para a sobrevida do paciente. O Shock Index (frequência cardíaca dividida pela pressão arterial sistólica) é uma ferramenta simples e eficaz para avaliar a gravidade do choque e predizer a necessidade de transfusão. Valores acima de 0.9 indicam choque mais grave e maior risco de mortalidade. A presença de hipoperfusão periférica e taquicardia acentuada reforça o diagnóstico. O manejo do choque hipovolêmico hemorrágico inclui hidratação com cristaloides, mas, em casos graves, a transfusão de hemoderivados (concentrado de hemácias O negativo, plasma fresco congelado e plaquetas) e a administração de ácido tranexâmico são fundamentais para controlar a hemorragia e otimizar a coagulação. A reavaliação contínua da resposta hemodinâmica é essencial.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de choque hipovolêmico grave em um paciente traumatizado?

Sinais incluem taquicardia (>120 bpm), hipotensão (PAS <90 mmHg), sinais de hipoperfusão periférica (tempo de enchimento capilar >2s, pele fria e pegajosa), alteração do nível de consciência e Shock Index elevado.

Qual a importância do Shock Index no trauma?

O Shock Index (frequência cardíaca / pressão arterial sistólica) é um indicador precoce de choque e preditor de mortalidade. Valores > 0.9 indicam maior gravidade e necessidade de intervenção rápida, orientando a conduta de reanimação.

Quando iniciar o protocolo de transfusão maciça em trauma?

O protocolo de transfusão maciça deve ser considerado em pacientes com choque hemorrágico grave, instabilidade hemodinâmica persistente, sangramento ativo e/ou necessidade de grandes volumes de cristaloides, visando uma proporção equilibrada de hemácias, plasma e plaquetas.

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