Choque Hipovolêmico no Trauma: Reconhecimento e Manejo

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2024

Enunciado

Nos pacientes traumatizados, deve-se idealmente reconhecer um estado de choque durante a avaliação primária; para tanto, é importante estar familiarizado com a diferenciação clínica das causas de choque. Com relação a ese tema, pode-se afirmar corretamente que

Alternativas

  1. A) um valor normal de hematócrito descarta uma perda sanguínea significativa, e perdas sanguíneas maciças produzem decréscimos significativos nos valores iniciais de concentração de hemoglobina.
  2. B) valores de deficit de base e/ou lactato na gasometria arterial não são úteis para determinar a presença e a gravidade do choque hemorrágico.
  3. C) o tamponamento cardíaco no trauma é mais frequentemente associado ao trauma contuso do tórax por acidentes automobilísticos.
  4. D) no diagnóstico do pneumotórax hipertensivo, a confirmação radiológica se faz necessária na avaliação primária para justificar a toracocentese de alívio.
  5. E) mecanismos compensatórios podem prevenir a queda mensurável na pressão sistólica até que uma perda de 30% da volemia do paciente tenha ocorrido.

Pérola Clínica

Choque hipovolêmico: PA sistólica ↓ apenas após perda >30% volemia devido a mecanismos compensatórios.

Resumo-Chave

A pressão arterial sistólica é um indicador tardio de choque, especialmente em pacientes jovens e previamente hígidos, devido à potente vasoconstrição e taquicardia compensatórias. A avaliação de outros parâmetros como frequência cardíaca, enchimento capilar, nível de consciência e débito urinário é crucial para o reconhecimento precoce do choque.

Contexto Educacional

O choque hipovolêmico é uma das principais causas de morte evitável no trauma, sendo crucial seu reconhecimento precoce na avaliação primária. Caracteriza-se pela perda de volume intravascular suficiente para comprometer a perfusão tecidual e a oferta de oxigênio. A rápida identificação e intervenção são determinantes para o prognóstico do paciente traumatizado. Fisiologicamente, o corpo ativa mecanismos compensatórios como a vasoconstrição periférica e o aumento da frequência cardíaca para manter a pressão arterial e a perfusão de órgãos vitais. Por isso, a hipotensão é um sinal tardio, manifestando-se geralmente após uma perda de 30% ou mais da volemia. Outros indicadores como taquicardia, taquipneia, alteração do nível de consciência, palidez e tempo de enchimento capilar prolongado são mais sensíveis para o diagnóstico precoce. O tratamento inicial do choque hipovolêmico no trauma envolve o controle da hemorragia, a reposição volêmica com cristaloides e, se necessário, hemoderivados. A monitorização contínua dos sinais vitais, débito urinário e marcadores de perfusão como lactato e déficit de base é essencial para guiar a ressuscitação e avaliar a resposta ao tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais precoces de choque hipovolêmico em pacientes traumatizados?

Sinais precoces incluem taquicardia, taquipneia, alteração do nível de consciência, palidez e tempo de enchimento capilar prolongado. A hipotensão é um sinal tardio.

Por que a pressão arterial pode se manter normal mesmo com perda volêmica significativa?

Mecanismos compensatórios como a ativação do sistema nervoso simpático causam vasoconstrição periférica e aumento da frequência cardíaca, mantendo a pressão arterial sistólica até que a perda volêmica exceda 30%.

Como o lactato e o déficit de base auxiliam no diagnóstico e gravidade do choque?

O lactato elevado e o déficit de base negativo (acidose metabólica) são marcadores de hipoperfusão tecidual e anaerobiose, sendo úteis para determinar a presença e a gravidade do choque, incluindo o hemorrágico.

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