PMF - Prefeitura Municipal de Franca (SP) — Prova 2020
Homem, 22 anos, vítima de queda de moto em rodovia há 30 minutos com trauma de crânio evidente; trazido pelo SAMU, chega à sala de trauma de um hospital terciário com intubação traqueal pelo rebaixamento do nível de consciência. A equipe de atendimento pré-hospitalar informou que o doente apresentava sinais de choque hipovolêmico e infundiu, até a chegada ao hospital, 1 litro de solução cristaloide. Exame físico: saturação de O = 95%, FC = 140 bpm, PA = 80 x 60 mmHg. ECG = 3. Exames de imagem: RX de tórax e bacia sem alterações. Ultrassonografia FAST = grande quantidade de líquido abdominal. A melhor forma de tratar o choque deste doente é:
Choque hipovolêmico grave + FAST positivo → Reanimação balanceada (hemácias + plasma) + controle cirúrgico precoce.
Em choque hipovolêmico grave por trauma abdominal com FAST positivo, a prioridade é o controle da fonte de sangramento (laparotomia) e a reanimação com controle de danos. Isso inclui reposição volêmica limitada de cristaloides (hipotensão permissiva em casos selecionados) e transfusão precoce de hemoderivados (papa de hemácias e plasma fresco congelado) para corrigir a coagulopatia.
O choque hipovolêmico é a principal causa de morte evitável no trauma. O manejo eficaz exige uma abordagem rápida e coordenada, focada no controle da fonte de sangramento e na reanimação com controle de danos. No caso de um paciente com trauma grave, sinais de choque hipovolêmico (FC 140, PA 80x60) e FAST positivo para líquido abdominal, a prioridade é o controle cirúrgico do sangramento através de laparotomia exploradora. A reanimação volêmica deve ser balanceada. A infusão excessiva de cristaloides pode levar à coagulopatia dilucional, acidose e hipotermia, piorando o prognóstico. A estratégia de hipotensão permissiva, que visa manter uma pressão arterial sistólica mais baixa (ex: 80-90 mmHg) em pacientes sem lesão cerebral grave, pode ser aplicada para evitar a disrupção de coágulos e a diluição. No entanto, no paciente com trauma cranioencefálico, a hipotensão deve ser evitada para manter a pressão de perfusão cerebral. A transfusão precoce de hemoderivados é crucial. Diante de um sangramento maciço, a transfusão de papa de hemácias e plasma fresco congelado (e plaquetas) em proporções balanceadas (ex: 1:1:1) deve ser iniciada sem demora, mesmo antes da chegada de resultados laboratoriais. Isso visa corrigir a coagulopatia induzida pelo trauma e pela reanimação, otimizando a hemostasia e a capacidade de transporte de oxigênio. A alternativa D reflete essa abordagem moderna e baseada em evidências.
A reanimação de controle de danos visa interromper a tríade letal (acidose, hipotermia, coagulopatia) através de controle rápido do sangramento, reposição volêmica balanceada (cristaloides limitados, hemoderivados em proporções específicas) e hipotensão permissiva em pacientes selecionados.
A transfusão de hemoderivados (papa de hemácias, plasma e plaquetas) deve ser iniciada precocemente em pacientes com choque hipovolêmico grave e sangramento ativo, sem aguardar exames laboratoriais, seguindo protocolos de transfusão maciça (ex: proporção 1:1:1).
A hipotensão permissiva consiste em manter a pressão arterial sistólica em níveis mais baixos (ex: 80-90 mmHg) em pacientes sem trauma cranioencefálico grave, para evitar a diluição de fatores de coagulação e a disrupção de coágulos formados, até o controle cirúrgico do sangramento.
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