Choque Hipovolêmico no Trauma: Diagnóstico e Manejo Rápido

HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem de 31 anos sofreu acidente de motocicleta (moto versus auto) e foi conduzido ao Hospital de Trauma pelos bombeiros. Ao exame, observou-se que o paciente estava com colar cervical, sem desvio de traqueia ou estase jugular. Encontrava-se taquicárdico (FC: 132 bpm), hipocorado, PA: 84 x 53 mmHg, pouco agitado, com escoriações no abdome superior e tórax. Exame físico pulmonar sem alterações; BRNF sem sopros. RX tórax e pelve sem alterações; FAST positivo no espaço de Traube (demonstrado na imagem a seguir).(Arquivo pessoal; imagem usada com autorização)Sobre o caso, pode-se afirmar corretamente que

Alternativas

  1. A) o ATLS™ é uma modalidade de atendimento ao politraumatizado que tem a seguinte avaliação em sequência: vias aéreas, respiração, circulação, exposição e colar cervical.
  2. B) esse paciente pode apresentar pneumotórax hipertensivo que deve ser drenado após a confirmação radiológica.
  3. C) paciente apresenta Escala de Coma de Glasgow de 14 em virtude da agitação observada na avaliação neurológica.
  4. D) pelo exame de imagem, há fortes indícios de lesão diafragmática esquerda com presença de hérnia traumática, sendo indicada a laparoscopia como medida terapêutica.
  5. E) esse paciente pode ter um choque hipovolêmico por trauma abdominal fechado decorrente de lesão esplênica.

Pérola Clínica

Politraumatizado instável (taquicardia, hipotensão) + FAST positivo em Traube → choque hipovolêmico por lesão esplênica.

Resumo-Chave

Um paciente politraumatizado com instabilidade hemodinâmica (taquicardia, hipotensão) e FAST positivo no espaço de Traube (quadrante superior esquerdo) tem forte indício de choque hipovolêmico devido a sangramento intra-abdominal, sendo a lesão esplênica uma causa comum em traumas fechados.

Contexto Educacional

O manejo do paciente politraumatizado segue os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), que prioriza a avaliação e tratamento das lesões que ameaçam a vida. A instabilidade hemodinâmica, caracterizada por taquicardia e hipotensão, é um sinal crítico de choque, sendo o choque hipovolêmico a causa mais comum em traumas. A identificação rápida da fonte do sangramento é vital para a sobrevida do paciente. No caso apresentado, a instabilidade hemodinâmica associada a escoriações abdominais e um FAST positivo no espaço de Traube (quadrante superior esquerdo) aponta fortemente para um sangramento intra-abdominal, sendo a lesão esplênica uma causa frequente de hemorragia significativa em traumas abdominais fechados. O FAST é uma ferramenta essencial na avaliação primária, permitindo a detecção rápida de líquido livre e orientando a conduta. Diante de um paciente em choque hipovolêmico com FAST positivo, a prioridade é a ressuscitação volêmica agressiva e a preparação para intervenção cirúrgica (laparotomia exploradora) para controle do sangramento. O atraso no diagnóstico e tratamento pode levar a desfechos desfavoráveis. É crucial que o residente domine a sequência de avaliação do ATLS e a interpretação de exames como o FAST para um manejo eficaz.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos de choque hipovolêmico em um paciente traumatizado?

Os sinais incluem taquicardia, hipotensão, pele fria e pálida, tempo de enchimento capilar prolongado, alteração do nível de consciência (agitação ou letargia), e oligúria. A presença de múltiplos desses sinais indica um choque mais grave.

Qual a importância do FAST no manejo do trauma abdominal fechado?

O FAST é uma ferramenta rápida e não invasiva para detectar líquido livre (sangue) na cavidade abdominal e pericárdica em pacientes traumatizados. Um FAST positivo em um paciente hemodinamicamente instável indica sangramento significativo e a necessidade de intervenção cirúrgica imediata, como laparotomia exploradora.

Por que o espaço de Traube é relevante em um FAST positivo após trauma?

O espaço de Traube corresponde ao quadrante superior esquerdo do abdome, onde se localiza o baço. Um FAST positivo nessa região (presença de líquido livre periesplênico) em um trauma abdominal fechado sugere fortemente uma lesão esplênica com sangramento, que é uma causa comum de choque hipovolêmico.

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