Choque Hipovolêmico no Trauma: Novas Estratégias de Reanimação

HMDI - Hospital e Maternidade Dona Iris (GO) — Prova 2020

Enunciado

Das alternativas, qual NÃO corresponde ao choque hipovolêmico:

Alternativas

  1. A) Configura uma das principais causas de morte evitáveis no trauma, neste contexto sendo responsável por 30 a 40% dos óbitos e a principal causa de choque.
  2. B) As novas estratégias de reposição volêmica do paciente traumatizado incluem reduzir a perda sanguínea, restabelecer a perfusão tecidual e a abordagem precoce da coagulopatia, que se resumem a grandes reposições de cristalóides e hemácias.
  3. C) A coagulopatia iatrogênica no trauma configura quadro desencadeado por reposição volêmica excessiva com hemodiluição e depleção de fatores de coagulação, que associada à coagulopatia aguda desencadeada pelo próprio trauma, acidose metabólica e hipotermia poderia levar a quadro de hemorragia de difícil controle.
  4. D) A Reanimação de Controle de Danos (CDR) baseada em reanimação balanceada (principalmente usando o esquema 1:1:1), hipotensão permissiva (com pressão arterial sistólica entre 70-90 mmHg e PAM= 50mmHg por até 1h em casos selecionados) com proposta inicial de 1000ml de cristalóides ao invés de 2000ml e reposição precoce de hemoderivados, principalmente em perdas de volemia maiores de 30%, fazem parte da nova abordagem no choque hipovolêmico.

Pérola Clínica

Novas estratégias de reposição volêmica no trauma → reposição balanceada de hemoderivados, NÃO grandes volumes de cristaloides.

Resumo-Chave

As novas estratégias de reposição volêmica no trauma focam na reanimação de controle de danos, que prioriza a reposição balanceada de hemoderivados (hemácias, plasma, plaquetas) e a limitação de cristaloides, para evitar a coagulopatia iatrogênica e a tríade letal. Grandes reposições de cristaloides são uma prática antiga e prejudicial.

Contexto Educacional

O choque hipovolêmico é a principal causa de morte evitável no trauma, sendo responsável por uma parcela significativa dos óbitos. As estratégias de manejo evoluíram consideravelmente, afastando-se da antiga prática de infusão maciça de cristaloides. Atualmente, o foco está na reanimação de controle de danos (CDR), que visa interromper a tríade letal do trauma: acidose, hipotermia e coagulopatia. A alternativa B está incorreta porque as novas estratégias de reposição volêmica NÃO se resumem a 'grandes reposições de cristaloides e hemácias'. Pelo contrário, elas enfatizam a limitação de cristaloides e a reposição precoce e balanceada de hemoderivados (hemácias, plasma e plaquetas em proporções específicas, como 1:1:1), além da hipotensão permissiva em pacientes selecionados. A infusão excessiva de cristaloides é conhecida por induzir ou agravar a coagulopatia iatrogênica, hemodiluição e hipotermia. A Reanimação de Controle de Danos (CDR) é um pilar fundamental no manejo moderno do choque hipovolêmico no trauma. Ela inclui a abordagem precoce da coagulopatia, a hipotensão permissiva (em pacientes sem trauma cranioencefálico grave) e a reposição de hemoderivados em proporções fisiológicas. O objetivo é estabilizar o paciente rapidamente, controlar a fonte de sangramento e otimizar a perfusão tecidual, minimizando os efeitos deletérios da reanimação excessiva ou inadequada.

Perguntas Frequentes

Por que grandes volumes de cristaloides são desaconselhados no choque hipovolêmico grave por trauma?

Grandes volumes de cristaloides podem levar à hemodiluição, acidose metabólica, hipotermia e coagulopatia iatrogênica, piorando o sangramento e a tríade letal do trauma, além de não conter a fonte da hemorragia.

O que é a tríade letal do trauma e como ela se relaciona com o choque hipovolêmico?

A tríade letal do trauma é composta por hipotermia, acidose metabólica e coagulopatia. O choque hipovolêmico grave e a reanimação inadequada podem desencadear ou agravar essa tríade, dificultando o controle do sangramento e aumentando a mortalidade.

Quais são os componentes da reanimação balanceada no choque hipovolêmico do trauma?

A reanimação balanceada, parte da reanimação de controle de danos, envolve a administração precoce de hemoderivados (papa de hemácias, plasma fresco congelado e plaquetas) em proporções próximas (ex: 1:1:1), juntamente com cristaloides limitados e hipotensão permissiva em casos selecionados.

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