Choque Hipovolêmico em Trauma: Quando Indicar Laparotomia?

PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2020

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 19 anos de idade, é trazida pelo SAMU ao hospital Geral Regional, vítima de atropelamento por automóvel em alta velocidade, há 30 min. Dá entrada com colar cervical, prancha rígida e cateter nasal de oxigênio. Paciente relata dor em abdome, em região subescapular esquerda e em perna esquerda. No atendimento inicial: A: via aérea pérvia, mantido colar cervical, SatO₂: 95% com cateter nasal 15l/min; B: Murmúrio vesicular bem distribuído sem ruído adventício, FR: 22ipm; : Bulhas rítmicas e normofonéticas, por difusa à palpação abdominal, pelve estável, toque retal sem alterações, FC:122bpm, PA: 82x62mmHg; D: Escala de coma de Glasgow 14 e pupilas isocóricas e fotorreagentes; E: escoriações difusas, laceração em couro cabeludo com sangramento ativo e desalinhamento em terço distal da perna esquerda. Após ressuscitação inicial com 2 litros de solução cristaloide, a paciente manteve as mesmas queixas, FC: 120bpm, PA: 84x60mmHg, FR: 22ipm, SatO₂: 94%. Após a confirmação diagnóstica, indique a conduta cirúrgica mais adequada, no momento.

Alternativas

  1. A) Sutura do couro cabeludo.
  2. B) Laparotomia exploradora.
  3. C) Fixação cirúrgica da fratura da perna esquerda.
  4. D) Videolaparoscopia.

Pérola Clínica

Choque hipovolêmico refratário em trauma abdominal → sangramento ativo = Laparotomia exploradora.

Resumo-Chave

A persistência da instabilidade hemodinâmica (hipotensão e taquicardia) após a reposição volêmica inicial em um paciente politraumatizado, especialmente com sinais de trauma abdominal, indica sangramento ativo e contínuo. Nesses casos, a laparotomia exploradora é a conduta cirúrgica de emergência para identificar e controlar a fonte do sangramento.

Contexto Educacional

O manejo do paciente politraumatizado segue os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), priorizando a avaliação e tratamento das lesões que ameaçam a vida. O choque hipovolêmico é a causa mais comum de morte evitável no trauma, e sua identificação e tratamento rápidos são cruciais. A resposta inicial à fluidoterapia é um indicador importante da gravidade da hemorragia e da necessidade de intervenção cirúrgica. Pacientes que permanecem instáveis hemodinamicamente após a infusão inicial de cristaloides são considerados 'não respondedores' ou 'respondedores transitórios' e geralmente necessitam de controle cirúrgico da hemorragia. O trauma abdominal pode ser fechado ou penetrante. No trauma fechado, a lesão de órgãos sólidos como baço e fígado é comum, levando a sangramentos significativos. A dor abdominal, associada à dor em região subescapular esquerda (sinal de Kehr), sugere lesão esplênica ou diafragmática com irritação do diafragma. A avaliação rápida por FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) ou TC abdominal pode auxiliar no diagnóstico, mas a instabilidade hemodinâmica persistente é a principal indicação para laparotomia exploradora, que permite a identificação e controle direto da fonte de sangramento. O prognóstico do paciente traumatizado depende diretamente da agilidade no diagnóstico e tratamento das lesões com risco de vida. A decisão de realizar uma laparotomia exploradora em um paciente instável é uma medida salvadora, visando interromper a hemorragia e restaurar a perfusão tecidual. A demora na intervenção cirúrgica em casos de choque hemorrágico refratário aumenta significativamente a morbimortalidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de choque hipovolêmico refratário em um paciente traumatizado?

Os sinais incluem hipotensão persistente (PA sistólica < 90 mmHg), taquicardia (> 120 bpm), má perfusão periférica e oligúria, mesmo após a administração inicial de 2 litros de cristaloides em adultos.

Quando a laparotomia exploradora é a conduta cirúrgica mais adequada em trauma abdominal?

A laparotomia exploradora é indicada em pacientes com trauma abdominal e instabilidade hemodinâmica persistente ou refratária à ressuscitação volêmica, peritonite, evisceração, ou pneumoperitônio, sugerindo sangramento ativo ou lesão de víscera oca.

Qual a importância do sinal de Kehr no trauma abdominal?

O sinal de Kehr (dor referida no ombro esquerdo) é sugestivo de irritação diafragmática, frequentemente causada por sangramento intra-abdominal, como ruptura esplênica, e indica a necessidade de investigação urgente.

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