Choque Hipovolêmico Pós-Parto: Diagnóstico e Manejo

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2023

Enunciado

Você foi solicitado a comparecer ao alojamento conjunto para avaliar um sangramento em puérpera 6 horas após parto normal induzido. É o primeiro parto de mulher de 20 anos, sem comorbidades, que foi induzido porque a gestação alcançou 41 semanas de gravidez e não havia sinais de parto. A puérpera estava orientada no tempo e espaço, pálida e sudorética, pulso fino, com frequência cardíaca de 125bpm, pressão arterial de 100x60mmHg, útero hipotônico e com sangramento vermelho vivo vazando o absorvente e molhando o lençol. Considerando os dados obtidos, a tabela de grau de choque fornecida abaixo e o cálculo do índice de choque, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) Trata-se de choque grave, considerando a frequência cardíaca e índice de choque maior que 1
  2. B) Trata-se de choque moderado, considerando o volume do sangramento e índice de choque igual a 1,25
  3. C) Trata-se de choque compensado, considerando a pressão arterial sistólica e índice de choque igual a 0,8
  4. D) Trata-se de choque moderado, considerando o nível de consciência e índice de choque igual a 0,8

Pérola Clínica

Choque hipovolêmico pós-parto: FC/PAS > 1.0 → Choque grave, exige intervenção imediata.

Resumo-Chave

A puérpera apresenta sinais de choque hipovolêmico grave, com FC de 125 bpm e PA de 100x60 mmHg. O cálculo do índice de choque (FC/PAS = 125/100 = 1.25) é maior que 1,0, o que, juntamente com os sinais clínicos de palidez, sudorese e pulso fino, indica um choque grave, provavelmente devido à atonia uterina (útero hipotônico).

Contexto Educacional

O índice de choque é uma ferramenta valiosa para a avaliação da gravidade do choque em obstetrícia, pois a taquicardia pode ser o primeiro sinal de descompensação, mesmo antes da hipotensão. O tratamento da HPP e do choque hipovolêmico requer uma abordagem multidisciplinar e protocolada, com foco na reposição volêmica, uso de uterotônicos e, se necessário, intervenções cirúrgicas. A educação continuada sobre este tema é vital para a segurança materna.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de choque hipovolêmico em puérperas?

Os principais sinais incluem taquicardia, hipotensão (especialmente se a PA sistólica cair abaixo de 90 mmHg ou houver queda de 30 mmHg da basal), palidez, sudorese, tempo de enchimento capilar prolongado, alteração do nível de consciência e oligúria. O útero hipotônico e o sangramento vaginal excessivo são achados cruciais na hemorragia pós-parto.

Como o índice de choque é calculado e interpretado em obstetrícia?

O índice de choque é calculado dividindo-se a frequência cardíaca pela pressão arterial sistólica (FC/PAS). Um valor maior que 0,8 sugere choque moderado, e um valor maior que 1,0 indica choque grave. É uma ferramenta útil para avaliar a gravidade do choque e a necessidade de intervenção rápida, mesmo antes de uma hipotensão franca.

Qual a conduta inicial para uma puérpera com choque hipovolêmico por atonia uterina?

A conduta inicial inclui massagem uterina bimanual, administração de ocitocina (e outros uterotônicos como misoprostol, metilergonovina se não houver contraindicação), reposição volêmica agressiva com cristaloides, avaliação e controle da fonte do sangramento, e monitorização contínua dos sinais vitais e débito urinário. A equipe deve estar preparada para transfusão sanguínea.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo