CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2024
Paciente de 46 anos com diagnóstico de pancreatite grave (com necrose infectada), foi submetida a tratamento cirúrgico (Laparotomia com Necrosectomia) e transferida imediatamente para UTI para seguimento de pós-operatório, nas seguintes condições sob ventilação mecânica: P:115bpm, PA: 85/60mmhg, T:35⁰C MV:NDN / Perda sanguínea estimada na cirurgia de 3500ml, tendo sido reposto - 4.000ml sol. cristalóide, 2 unidades de concentrado de hemácias. Em uso de Imipenem e Fluconazol / RX de tórax: atelectasia bibasilar / ECG: taquicardia sinusal / Hemograma: Leucocitose de 24.000/mm³ / Hemoglobina 12g/dl, Hematócrito 40%. Extremidades frias e mal perfundidas.Interprete-os e assinale a alternativa correta, dentre as opções que melhor defina as etapas de tratamento desse paciente:
Paciente pós-necrosectomia por pancreatite grave com sinais de choque (hipotensão, taquicardia, má perfusão) e grande perda sanguínea estimada → suspeitar de sangramento ativo/inadequado controle da fonte.
Apesar da reposição volêmica com cristaloides e hemácias, a persistência de sinais de choque (hipotensão, taquicardia, extremidades frias e mal perfundidas) em um paciente pós-operatório de um procedimento com grande perda sanguínea estimada (necrosectomia por pancreatite grave) sugere fortemente um controle inadequado da fonte de sangramento intra-abdominal ou sangramento ativo, exigindo investigação e intervenção imediatas.
A pancreatite grave com necrose infectada é uma condição de alta morbimortalidade, frequentemente exigindo intervenção cirúrgica como a necrosectomia. O pós-operatório desses pacientes é complexo e exige monitorização intensiva, pois são suscetíveis a diversas complicações, incluindo sepse, disfunção de múltiplos órgãos e choque. O choque hipovolêmico é uma das causas mais comuns de instabilidade hemodinâmica no pós-operatório imediato, especialmente após cirurgias com grande potencial de perda sanguínea. No cenário descrito, o paciente apresenta um quadro clássico de choque (hipotensão, taquicardia, má perfusão periférica) que persiste apesar da reposição volêmica inicial. A estimativa de grande perda sanguínea durante a cirurgia, aliada à reposição que pode ser considerada subótima para o volume perdido (apenas 2 unidades de concentrado de hemácias para 3500ml de perda), levanta uma forte suspeita de sangramento ativo ou controle inadequado da hemostasia intra-abdominal. Embora a sepse seja uma preocupação em pacientes com pancreatite necrosante, o contexto cirúrgico recente direciona a atenção para causas cirúrgicas do choque. Para residentes, é fundamental reconhecer rapidamente os sinais de choque e diferenciar suas etiologias no pós-operatório. A avaliação minuciosa da perfusão periférica, débito urinário e estado mental, juntamente com a reavaliação dos balanços hídricos e hemoderivados, são passos cruciais. A falha em identificar e intervir prontamente em um sangramento ativo pode levar a um desfecho desfavorável. Portanto, a suspeita clínica de sangramento e a busca ativa por sua fonte são prioridades no manejo desses pacientes críticos.
Os sinais incluem hipotensão (PA 85/60 mmHg), taquicardia (P 115 bpm), extremidades frias e mal perfundidas, tempo de enchimento capilar prolongado, oligúria e alteração do estado mental, mesmo com reposição volêmica inicial.
A suspeita é alta devido à grande perda sanguínea estimada na cirurgia (3500ml), à persistência dos sinais de choque apesar da reposição volêmica (4000ml cristalóide, 2 CH) e ao tipo de cirurgia (necrosectomia por pancreatite grave), que pode ter complicações hemorrágicas.
A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica com fluidos e hemoderivados, correção de coagulopatias, e investigação rápida da fonte de sangramento (ex: exames de imagem, reavaliação cirúrgica) para controle definitivo da hemorragia.
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