FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2026
Paciente Masculino, 63 anos, diabético e hipertenso, submetido à colectomia esquerda eletiva (neoplasia de cólon esquerdo). Devido à hemorragia acidental, a perda sanguínea estimada foi de 2300 mL e o tempo cirúrgico se estendeu por 6 horas. Admitido em UTI para cuidados pósoperatórios sob analgossedação, ventilação mecânica invasiva e uso de noradrenalina 0,3 mcg/kg/min. Cateter venoso central em veia jugular interna direita, linha arterial em artéria radial direita, mantido com colostomia e dreno de vigilância abdominal. Os dados hemodinâmicos referentes às 4 primeiras horas em UTI estão representados abaixo: | Variável | Admissão | 2ª hora | 4ª hora | |-----------------------|----------|---------|---------| | FC (bpm) | 85 | 110 | 125 | | PAS/PAD (mmHg) | 120/70 | 110/60 | 100/55 | | Diurese (ml/kg/h) | - | 0.5 | 0.2 | | PVC (mmHg) | 12 | 7 | 4 | | Sat central O₂ (%) | 79 | 60 | 58 | | P(v-a) CO₂ (mmHg) | 6 | 7 | 10 | Qual seria a conduta mais adequada?
↓PVC + ↓ScvO2 + ↑P(v-a)CO2 → Choque hipovolêmico/baixa oferta (DO2).
A deterioração hemodinâmica com queda da PVC e ScvO2, associada ao aumento do gap de CO2, indica hipovolemia persistente e necessidade de expansão e sangue.
O manejo do choque no pós-operatório imediato de grandes cirurgias exige interpretação multimodal. O paciente apresenta sinais de choque distributivo/hipovolêmico: taquicardia compensatória, hipotensão progressiva, oligúria e acidose metabólica latente. A monitorização mostra uma queda na pré-carga (PVC) e sinais de hipoperfusão tecidual. A conduta baseia-se na 'Early Goal-Directed Therapy' adaptada: expansão volêmica com cristaloides para atingir metas de pré-carga, avaliação de hemoglobina para garantir DO2 adequado (transfusão se necessário) e ajuste de vasopressores. O cirurgião deve estar ciente, mas a prioridade imediata na UTI é a estabilização hemodinâmica baseada nos dados de fluxo e saturação central.
A Saturação Venosa Central de Oxigênio (ScvO2) reflete o equilíbrio entre a oferta (DO2) e o consumo (VO2) de oxigênio. Um valor normal é > 70%. A queda para 58% indica que os tecidos estão extraindo mais oxigênio do que o normal devido a uma oferta insuficiente, geralmente causada por baixo débito cardíaco (hipovolemia) ou baixa hemoglobina (anemia pós-hemorrágica).
O gradiente venoarterial de CO2 é um marcador de fluxo sanguíneo. Valores acima de 6 mmHg sugerem que o débito cardíaco é insuficiente para 'lavar' o CO2 produzido pelos tecidos. No caso clínico, o aumento de 6 para 10 mmHg confirma que o paciente está em um estado de baixo fluxo, reforçando a necessidade de otimização do volume sistólico.
A queda da PVC (de 12 para 4 mmHg) e a redução da diurese (oligúria) são sinais clássicos de hipovolemia. Em um contexto de hemorragia intraoperatória de 2300 mL, a prioridade é restaurar o volume intravascular com cristaloides e avaliar a necessidade de hemácias para melhorar a capacidade de transporte de oxigênio, visando normalizar a ScvO2 e o gap de CO2.
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