Choque Hipovolêmico Pediátrico: Diagnóstico e Manejo Inicial

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2015

Enunciado

Mariana, com um ano e três meses de idade, foi trazida à unidade de pronto atendimento por estar com diarreia há dois dias (fezes líquidas, sem sangue ou muco, sete evacuações/dia), vômitos, diurese diminuída. Ao exame: sonolenta, olhos fundos, o sinal da prega se desfaz muito lentamente. A perfusão periférica está de quatro segundos, pele e mucosas ressecadas. FC: 181bpm. PA: 85 X 45mmHg. A frequência respiratória é de 45 incursões respiratórias por minuto, ausência de tiragem e ausência de estertores pulmonares; saturação periférica de O2 de 98%. Temperatura axilar de 37,5°C. No caso descrito, o diagnóstico e o tratamento inicial são, respectivamente,

Alternativas

  1. A) Diarreia aguda com desidratação moderada; hidratação oral (Plano B) através de gastróclise e sintomáticos.
  2. B) Diarreia aguda com desidratação grave; hidratação venosa SG a 5%1: 1 Solução fisiológica 20ml/Kg em 1 hora e sintomáticos.
  3. C) Diarreia aguda com desidratação grave e choque hipovolêmico; O2 inalatório, solução fisiológica 20ml/Kg em bolus EV ou IO, podendo ser repetido 2 a 3 vezes, sintomáticos. 
  4. D) Diarreia aguda com desidratação grave; Antibioticoterapia EV e hidratação venosa com Solução SG5% 1: 1 SF0,9% 50ml/Kg em até 2 horas, sintomáticos.
  5. E) Diarreia persistente com desidratação grave e choque hipovolêmico;Metronidazol oral, sol. de ringer lactato 20ml/Kg EV ou IO.

Pérola Clínica

Desidratação grave com choque hipovolêmico em criança → O2, SF 0,9% 20ml/kg EV/IO em bolus, repetir 2-3x.

Resumo-Chave

A criança apresenta sinais claros de desidratação grave (sonolência, olhos fundos, prega lenta) e choque hipovolêmico (taquicardia, hipotensão, perfusão periférica prolongada). Nesses casos, a prioridade é a reanimação volêmica agressiva com solução isotônica, preferencialmente por via intravenosa ou intraóssea, para restaurar a perfusão tecidual e corrigir o choque.

Contexto Educacional

A diarreia aguda é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças menores de cinco anos, sendo a desidratação a complicação mais grave. O reconhecimento precoce dos sinais de desidratação e, principalmente, de choque hipovolêmico é crucial para um desfecho favorável. A avaliação clínica deve ser rápida e focada em sinais de perfusão e nível de consciência, que são indicadores da gravidade do quadro. A fisiopatologia do choque hipovolêmico na diarreia envolve a perda excessiva de fluidos e eletrólitos, levando à diminuição do volume intravascular, redução do débito cardíaco e comprometimento da perfusão tecidual. A taquicardia e a vasoconstrição periférica são mecanismos compensatórios iniciais, mas a hipotensão é um sinal tardio e grave. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios da OMS para desidratação e nos sinais de choque. O tratamento inicial da desidratação grave com choque hipovolêmico (Plano C) é uma emergência médica. Consiste na administração rápida de bolus de solução isotônica (soro fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato) por via intravenosa ou intraóssea, com monitorização contínua dos sinais vitais e reavaliação da resposta. Após a estabilização do choque, a hidratação de manutenção e a reposição de eletrólitos devem ser continuadas, além do manejo da causa da diarreia.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de choque hipovolêmico em crianças com diarreia?

Os principais sinais incluem sonolência ou letargia, olhos fundos, sinal da prega cutânea que se desfaz muito lentamente, taquicardia, hipotensão (sinal tardio), perfusão periférica prolongada (>3 segundos), extremidades frias e diurese diminuída.

Qual a conduta inicial para desidratação grave com choque hipovolêmico em pediatria?

A conduta inicial é a reanimação volêmica agressiva. Administrar oxigênio, estabelecer acesso venoso ou intraósseo e infundir solução fisiológica 0,9% em bolus de 20 mL/kg, que pode ser repetido 2 a 3 vezes, reavaliando o paciente a cada bolus.

Quando considerar o acesso intraósseo em uma emergência pediátrica?

O acesso intraósseo deve ser considerado quando o acesso venoso periférico não pode ser obtido rapidamente (em 90 segundos ou 2 tentativas) em situações de emergência, como choque grave ou parada cardiorrespiratória, pois permite a administração imediata de fluidos e medicamentos.

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