Choque Hipovolêmico Pediátrico: Manejo da Diarreia Grave

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024

Enunciado

Menina de 3 anos chega ao pronto atendimento com quadro de diarreia sanguinolenta há dois dias, com 8-10 evacuações/dia, com febre não aferida e vômitos ocasionais. Ao exame, apresenta-se com FC 158 bpm, FR 22 irpm, PA 100x60 mmHg, sonolenta e pulsos impalpáveis. Assinale a alternativa que apresenta a conduta neste caso:

Alternativas

  1. A) Reparar com sais de Reidratação Oral 50-100 ml/kg em 4 horas até melhora clínica e diurese; iniciar ciprofloxacino e zinco.
  2. B) Reparar com 20-30 ml/kg em 4 horas até melhora clínica; alta com azitromicina e orientar sinais de alarme.
  3. C) Expansão volêmica com SF 30 ml/kg em 30 minutos; seguida de SF 70ml/kg em 2h30; iniciar ceftriaxone.
  4. D) Hidratação venosa 10ml/kg em 15 minutos, seguida de 60-80/kg/dia em 6 horas; dar alta com sulfametoxazol-trimetoprim..
  5. E) Gastróclise, sais de reidratação oral 15-30ml/kg/hora até melhora da desidratação; alta com ciprofloxacino e ondansetrona.

Pérola Clínica

Criança com diarreia sanguinolenta + sinais de choque (sonolência, pulsos impalpáveis, taquicardia) → Expansão volêmica agressiva + ATB empírico (Ceftriaxone).

Resumo-Chave

Apresentação de diarreia sanguinolenta com sinais de choque (sonolência, taquicardia, pulsos débeis) em criança indica desidratação grave e possível sepse. A conduta inicial é a expansão volêmica rápida com solução salina isotônica e antibioticoterapia empírica para disenteria bacteriana, como Ceftriaxone.

Contexto Educacional

A diarreia aguda é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças, especialmente em países em desenvolvimento. A presença de sangue nas fezes (disenteria) e sinais de choque hipovolêmico indicam um quadro grave que exige intervenção médica imediata. O reconhecimento precoce dos sinais de desidratação grave e choque é crucial para a sobrevida do paciente pediátrico. No caso apresentado, a criança exibe taquicardia, sonolência e pulsos impalpáveis, que são claros indicadores de choque hipovolêmico. A fisiopatologia envolve a perda excessiva de fluidos e eletrólitos, levando à diminuição do volume intravascular e comprometimento da perfusão tecidual. A diarreia sanguinolenta sugere uma etiologia bacteriana invasiva, que pode cursar com sepse. A conduta inicial para choque hipovolêmico em pediatria é a reanimação volêmica agressiva com bolus de solução salina isotônica (20 mL/kg em 15-20 minutos), que pode ser repetida até a estabilização hemodinâmica. Concomitantemente, devido à suspeita de disenteria bacteriana grave, a antibioticoterapia empírica com ceftriaxone é fundamental para cobrir os patógenos mais comuns e reduzir a duração da doença e o risco de complicações sistêmicas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de choque hipovolêmico em crianças com diarreia?

Os sinais incluem taquicardia, tempo de enchimento capilar prolongado (>3 segundos), pulsos periféricos débeis ou impalpáveis, extremidades frias, sonolência, letargia, hipotensão (sinal tardio e grave) e oligúria.

Qual a conduta inicial para uma criança com diarreia sanguinolenta e sinais de choque?

A conduta inicial é a expansão volêmica rápida com solução salina isotônica (SF 0,9%) em bolus de 20 mL/kg, repetida se necessário, até melhora dos sinais de choque. Além disso, deve-se iniciar antibioticoterapia empírica, como ceftriaxone, devido à suspeita de disenteria bacteriana.

Por que o ceftriaxone é indicado para diarreia sanguinolenta em crianças?

O ceftriaxone é um antibiótico de amplo espectro eficaz contra os principais agentes etiológicos da disenteria bacteriana em crianças, como Shigella, Salmonella e E. coli enteroinvasora. É especialmente indicado em casos graves ou com sinais de toxicidade sistêmica.

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