Choque Hipovolêmico Pediátrico: Reconhecimento e Manejo Inicial

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2020

Enunciado

Criança de 2 anos de idade, apresenta diarreia aquosa e em grande volume há 2 dias. Há 12 horas sem diurese, é levado por sua mãe para atendimento na UPA. Ao exame físico, criança pálida, com extremidades frias, sonolento, pulso filiforme, olhos encovados e mucosa ressecada. Em relação ao caso descrito, assinale a alternativa que contém a terapêutica inicial mais adequada para esse paciente:

Alternativas

  1. A) deve ser prescrito solução de sais de reidratação oral, 50 ml/kg para ser administrada via oral em 4 horas.
  2. B) deve ser realizada expansão volêmica com soro fisiológico 0,9%, 20 ml/kg para correr em 30 minutos.
  3. C) deve ser prescrito solução de sais de reidratação oral, 50 ml/kg via sonda nasogástrica para ser administrada em 4 horas.
  4. D) deve ser realizada hidratação venosa com soro fisiológico 100 ml/kg, associada a cloreto de sódio e cloreto de potássio para ser administrada em 24 horas.
  5. E) deve ser prescrito sais de reidratação oral 20 ml/kg para ser administrada via sonda nasogástrica em 30 minutos.

Pérola Clínica

Criança com diarreia, sonolência, extremidades frias, pulso filiforme → Choque hipovolêmico = Expansão volêmica imediata (SF 0,9%, 20 ml/kg em 30 min).

Resumo-Chave

Os sinais apresentados pela criança (sonolência, extremidades frias, pulso filiforme, olhos encovados, ausência de diurese) indicam choque hipovolêmico grave secundário à desidratação. A conduta inicial é a expansão volêmica rápida com soro fisiológico.

Contexto Educacional

O choque hipovolêmico em crianças, frequentemente causado por desidratação grave secundária a diarreia aguda, é uma emergência pediátrica que exige reconhecimento e tratamento imediatos. A rápida identificação dos sinais de choque, como alteração do nível de consciência, extremidades frias e pulso filiforme, é crucial para evitar desfechos desfavoráveis. A fisiopatologia envolve a perda excessiva de fluidos e eletrólitos, levando à redução do volume intravascular, diminuição do retorno venoso, queda do débito cardíaco e perfusão tecidual inadequada. A ausência de diurese por 12 horas é um forte indicador de comprometimento renal pré-renal. A sonolência e a apatia refletem a hipoperfusão cerebral. A terapêutica inicial mais adequada para o choque hipovolêmico é a expansão volêmica com cristaloides isotônicos, como soro fisiológico 0,9%, na dose de 20 mL/kg, administrada rapidamente em 30 minutos. Essa medida visa restaurar o volume intravascular e a perfusão dos órgãos vitais. Após a estabilização, a reidratação pode ser continuada com esquemas menos agressivos, adaptados ao grau de desidratação residual.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de choque hipovolêmico em crianças com diarreia?

Sinais de choque hipovolêmico incluem alteração do nível de consciência (sonolência, letargia), extremidades frias, tempo de enchimento capilar prolongado (>3 segundos), pulso filiforme ou ausente, taquicardia, hipotensão (sinal tardio) e ausência de diurese.

Qual a conduta inicial para uma criança com choque hipovolêmico por desidratação?

A conduta inicial é a expansão volêmica rápida com solução isotônica (soro fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato), administrando 20 mL/kg em bolus, que pode ser repetido até 3 vezes, enquanto se monitora a resposta clínica.

Por que a reidratação oral não é a primeira escolha em choque hipovolêmico?

A reidratação oral é contraindicada em choque hipovolêmico devido à incapacidade do trato gastrointestinal de absorver fluidos adequadamente e à necessidade de uma reposição volêmica rápida e maciça para restaurar a perfusão tecidual.

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